e-revista Brasil Energia 508

Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026 15 O Painel Ralie, da Aneel, registra que em 2019 entraram no mercado 4.573 MW em usinas hidrelétricas. Era uma espécie de canto do cisne da expansão hidrelétrica de grande porte no Brasil. Naquele ano começaram a operar comercialmente as seis últimas das 18 unidades geradoras (UGs) de Belo Monte e entraram também as usinas de Sinop e Colíder, ambas no rio Teles Pires, MT, respectivamente, com 402 e 300 MW de capacidade. Dali em diante, o Sistema Interligado Nacional (SIN) só iria incorporar ao seu acervo mais uma UHE com capacidade superior a 100 MW, a UHE São Roque, de 142 MW, que entrou em operação na metade de 2022 no rio Canoas, SC. A última hídrica com mais de 30 MW a entrar no SIN foi a Juruena, no rio do mesmo nome (MT), com 50 MW, no ano passado. Vista pela maioria dos especialistas em energia como a mais versátil entre as fontes limpas, a geração hidrelétrica dá sinais de que o cisne pode estar ressuscitando, ainda que a perspectiva da construção de uma nova usina de grande porte continue sendo apenas uma intenção expressa na Resolução nº 7 do CNPE, de abril deste ano, determinando que a EPE priorize estudos de inventários com capacidade de armazenamento de água e energia. Ainda assim, outras possibilidades começam a se materializar ou a crescer e já se refletem no planejamento setorial expresso no Plano Decenal de Energia 2036 (PDE 2036). A síntese do plano colocada este mês em consulta pública pelo MME (CP 235/2026) projeta que de 2027 a 2036 a geração centralizada vai incorporar 12 GW em hidrelétricas em diversos formatos. O dado representa 11,3% dos 106 GW projetados no PDE para todas as fontes, incluindo MMGD. Pela projeção, a matriz passará de 268 para 374 GW de dezembro deste ano para dezembro de 2036. UHE Luiz Gonzaga, no rio São Francisco (PE), de 1.479 MW, está entre as cinco vencedoras do leilão de capacidade que serão ampliadas

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