Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026 21 País. O Brasil responde por cerca de 22% da produção mundial de biocombustíveis. Sem a mistura obrigatória de etanol à gasolina, as importações brasileiras de gasolina A seriam dez vezes maiores; sem o biodiesel misturado ao diesel, as importações de óleo diesel A seriam cerca de 60% superiores às observadas em 2025. São números que ilustram que a bioenergia não é apenas uma alternativa de descarbonização: ela já funciona como mecanismo de redução da vulnerabilidade externa brasileira. O PDE 2036 também aponta para os biocombustíveis avançados, foco estratégico em combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e diesel verde em setores de difícil descarbonização, ao mesmo tempo em que identifica o biometano como uma nova fronteira de expansão. As projeções demográficas e econômicas que integram o caderno também criam condições favoráveis para a expansão da bioenergia pelo lado da oferta de biomassa e resíduos. Entre 2026 e 2036, a agropecuária deve crescer em ritmo médio de 3,2% ao ano, o maior entre os grandes setores da economia. Esse dinamismo tende a ampliar as oportunidades de aproveitamento de resíduos agroindustriais para bioeletricidade, biogás e biometano. Ao situar biogás, biometano, bioeletricidade e biocombustíveis dentro desse panorama geopolítico, tecnológico e econômico, o PDE 2036 oferece elementos para interpretar a bioenergia como uma dimensão estratégica da resiliência energética brasileira. O recado é relevante: em um mundo mais fragmentado e sujeito a choques de oferta, preços internacionais e infraestrutura, ampliar o aproveitamento do potencial técnico da bioenergia pode contribuir simultaneamente para diversificar a matriz, reduzir vulnerabilidades externas e avançar na transição energética. Cabe, portanto, que esse potencial seja considerado de forma cada vez mais consistente nas políticas públicas e nas decisões de investimento para o horizonte decenal. Entre 2015 e 2025, a participação específica da biomassa da cana recuou de 16,9% para 15,8%, enquanto eólica, solar e outras fontes renováveis avançaram de 5,0% para 14,7%. Imagem gerada por IA
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