Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026 27 gião em uma das frentes mais importantes para o mercado de gás do Brasil. De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035 da EPE, a participação do Nordeste (considerando Sergipe, Bahia, Rio Grande do Norte, Alagoas e Maranhão) na oferta potencial nacional deve quase duplicar até 2035. A perspectiva da organização é que o percentual salte de 16%, em 2025, para 31%. A produção total de gás da região foi de 13,088 milhões de m3/dia em agosto deste ano, segundo dados da ANP. Entre janeiro e agosto de 2026, a média ficou em 12,27 milhões de m3/dia, valor 23% maior do que o mesmo período de 2025, alta concentrada na bacia de Parnaíba e nos campos de Manati, Pilar e Furado. O presidente da Abpip, a associação dos produtores independentes, Márcio Félix, aponta que este crescimento combina recuperação de produção marítima, expansão em campos terrestres e maior utilização de ativos ligados à geração termelétrica. Félix também afirma que o Nordeste reúne uma série de fatores que contribuem para a atratividade da região e a consolidação do mercado de gás. Ele cita que a região já conta com uma base de consumo estabelecida, grande presença de produtores independentes e projetos de geração elétrica a gás. O executivo destaca o papel histórico da Bahia no mercado, uma vez que a produção de petróleo e gás da região teve início no estado. “A Bahia foi pioneira, tem um mercado significativo, tem o Polo Industrial de Camaçari. A conexão entre o Sudeste e o Nordeste, o gasoduto Gasene, se deu muito por conta do mercado da Bahia. Foi a âncora para isso.” O atrativo da geração termelétrica também tem trazido grandes projetos para a região. O Complexo Parnaíba, da Eneva, é um dos grandes exemplos do chamariz que esta parcela do consumo de gás tem significado. Ao todo, a companhia conta com seis usinas termelétricas abastecidas pelo gás produzido pela própria empresa na Bacia do Parnaíba, funcionando no modelo Reservoir-to-wire, que conecta diretamente os poços de exploração à geração de energia elétrica e ao grid. O projeto de estocagem subterrânea da Origem Energia no Campo de Pilar, em Alagoas, que deve entrar em atividade comercial no fim deste ano, é outra evidência de que a geração termelétrica tem sido chave para o mercado de gás da região. O ativo vai fornecer suporte de despacho rápido para usinas térmicas de flexibilidade, o que inclui projetos de leilão de reserva de capaQuem é fonte nesta matéria MARCIO FELIX, presidente da Abpip ALAIRSON FILHO, gerente-executivo de Comercialização da PetroRecôncavo ANDERSON BASTOS, diretor de Estocagem Subterrânea da Origem
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