Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026 39 formação de demanda em potencial. A região da Costa Branca segue no horizonte da Potigás. Para Melo, o lugar tem grande potencial de crescimento e a companhia tem olhos nos clientes em potencial dos municípios vizinhos à Areia Branca. “Tem outros municípios da região que nós já estamos estudando como é que a gente faz para chegar, porque também têm indústria, também têm salineiras, têm outras empresas que têm desenvolvimento ali na região.” Novos mercados A empresa também acompanha de perto outras oportunidades no estado. A distribuidora identifica dois segmentos com potencial para sustentar a expansão do consumo de gás, como o transporte pesado e os data centers. No primeiro setor - ao qual várias distribuidoras têm se atentado -, a companhia aposta no uso de gás natural em caminhões e frotas comerciais como alternativa para empresas que buscam reduzir as emissões. Em Areia Branca, embora o foco tenha sido as salineiras, a Potigás enxerga também oportunidades no uso do GNV para veículos pesados, entendendo que a eletrificação é uma realidade mais distante para o setor e pode abrir espaço para o gás. Os data centers também estão no radar da Potigás, sinaliza Melo. Segundo estudo da EPE, há um total de 30 projetos interessados em se instalar na região Nordeste, que somam 8,3 GW de potência instalada até 2038. Embora os data centers usem energia renovável - abundante na região -, a executiva enxerga a possibilidade de fornecer gás para a refrigeração e como backup. Preço e inovação A diretora-presidente da Potigás enxerga que o preço ainda é um entrave na região. Mesmo com a escalada na produção de gás no Nordeste, isso não significa que haja maior oferta e, consequentemente, preços menores. Melo aponta como alguns dos culpados fatores constantemente mencionados por outras distribuidoras, como a própria oferta menor que a produção e a tarifa das transportadoras. Ainda assim, a executiva também menciona que as distribuidoras chegaram a um ponto de inflexão, no qual precisam repensar sua atuação. Historicamente, as concessionárias tiveram papel central na expansão da malha de distribuição no Brasil, mas o mercado apresenta novos desafios, como a eletrificação dos veículos leves, a diversificação das fontes de energia e as mudanças nas demandas industriais. Melo defende que as distribuidoras invistam em inovação e busquem novas formas de desenvolver o mercado. “As distribuidoras precisam pensar diferente para que a gente aponte um futuro diferente e não fique tão refém dos outros elos da cadeia. Somos uma indústria de rede, a gente precisa estar alinhado aos outros elos da cadeia, mas precisamos também inovar no que é de nossa responsabilidade.” Quem é fonte nesta matéria MARINA MELO, diretora-presidente da Potigás
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