e-revista Brasil Energia 508

Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026 85 O milho predomina na nova capacidade de produção de etanol projetada no Brasil. Levantamento da Brasil Energia a partir de dados da ANP, atualizados em 9 de outubro, mostra que empreendimentos que utilizam o cereal respondem por 90% da capacidade de etanol anidro e 86,4% da de hidratado previstas para novas instalações em processo de autorização. Dos 68 processos acompanhados pela agência, 34 se referem à construção de novas unidades e outros 34 à ampliação de instalações existentes. Entre os novos projetos, 18 indicam milho como matéria-prima, sozinho ou associado ao sorgo, como é o caso de quatro deles. Os projetos somam capacidade nominal de 15,1 mil m3/dia de anidro, de um total de 16,8 mil m3/dia, e 16,9 mil m3/dia de hidratado, ante 19,6 mil m3/dia previstos para todas as novas unidades. A concentração é maior em Mato Grosso, onde seis projetos que utilizam milho reúnem capacidade de 8,9 mil m3/ dia de hidratado, mais da metade do total associado ao cereal. Entre eles estão duas unidades da FS, em Querência e Campo Novo do Parecis, com previsão de conclusão em dezembro de 2026, e a planta da Inpasa em Rondonópolis, prevista para maio de 2027. Esta última terá capacidade declarada de 3.098 m3/dia de anidro. A Inpasa também planeja uma unidade em Rio Verde (GO), de 2.820 m³/dia, com conclusão prevista para fevereiro de 2027. O perfil dos investimentos aponta para uma mudança na composição do parque produtor. Na lista de 374 instalações já autorizadas pela ANP, atualizada em 28 de setembro, 38 citam explicitamente o milho entre as matérias-primas, inclusive as unidades flex. A cana-de-açúcar ainda predomina entre os produtores existentes. A expansão dos projetos reforça uma tendência já observada na produção nacional. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o etanol de milho respondeu por 27,1% do volume produzido na safra 2025/26, com 10,17 bilhões de litros. Para 2026/27, a estatal projeta uma produção de 11,91 bilhões de litros, equivalente a 28,4% do total previsto para o país. A perspectiva é de continuidade da expansão. Análise do Itaú BBA estima que a capacidade instalada no país vai chegar a 25,3 bilhões em 2030, incluindo projetos anunciados. Mas o ritmo de expansão traz riscos. Segundo estudo divulgado em julho pela consultoria Czarnikow, a produção de etanol de milho mais que dobrou nos últimos quatro anos, enquanto a demanda doméstica total de etanol cresceu cerca de 26%. Se a demanda não acompanhar a oferta, os preços do biocombustível poderão sofrer maior pressão, comprometendo a rentabilidade das usinas. n

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