BE Petróleo | Ed. 452 - Agosto, 2018

BE Petróleo , nº 452, 1 de agosto de 2018 21 A pesar de já registrar descobertas desde 1980, a Bacia de Santos ganhou foco nas ativi- dades exploratórias brasileiras so- mente a partir da década passada, quando foram identificadas as acu- mulações em águas profundas na região conhecida como “cluster do pré-sal”, cuja primeira descoberta ocorreu em 2006. A bacia hoje conta com mais de 450 poços exploratórios perfura- dos, dos quais 192 resultaram em descobertas. Até 2010, Santos nun- ca tinha registrado mais de dez in- dícios de hidrocarbonetos por ano. A partir de 2011, no entanto, o jo- go virou e a região chegou a ter 16 indícios em 2013, ano em que a Pe- trobras intensificou as atividades em regiões como Lula, Sul de Lula, Berbigão, Búzios e Sururu. Atualmente, Santos conta com dez blocos em regime de conces- são em fase exploratória, referen- tes às rodadas de licitação 2, 3, 7 e 9. Em algumas das áreas, estão em curso avaliações de descobertas no pré-sal. No BM-S-50, por exemplo, a Petrobras estuda até 2018 o pros- pecto batizado de Sagitário. Já no BM-S-8, a Equinor avalia Carcará, prospecto descoberto em 2012 com reservas recuperáveis estimadas en- tre 700 milhões e 1,3 bilhão de boe. Também há atividades em águas rasas, como os investimentos da australiana Karoon, que tem cin- co blocos na bacia, onde registrou quatro descobertas. A petroleira, inclusive, foi a única a levar uma área na bacia na 14ª rodada de lici- tações da ANP, com a aquisição do bloco S-M-1537, por um bônus de R$ 20 milhões. Havia outros 75 blocos em ofer- ta em Santos no leilão, mas ne- nhum atraiu o interesse das petro- leiras. As companhias confirmaram a vocação da bacia para o pré-sal e preferiram guardar suas apostas para a 2ª e 3ª rodadas de partilha. Nesses leilões, houve áreas arrema- tadas por majors como Shell, Total, Exxon, Repsol, BP e Statoil, que de- vem garantir novos investimentos exploratórios nas áreas nos próxi- mos anos. Na 4ª rodada de partilha, mais duas novas áreas foram arre- matadas, ambas operadas pela Pe- trobras. É justamente no pré-sal que es- tá a joia da coroa da bacia: Libra. O bloco, sob regime de partilha, re- cebeu 13 poços de extensão e um poço pioneiro adjacente durante a fase exploratória e de avaliação. A parte noroeste da área de partilha já foi declarada comercial, dando ori- gem ao campo de Mero, mas o res- tante do bloco continuará em ava- liação até 2020. Curiosamente, o ano em que Li- bra foi descoberto, 2007, foi tam- bém o que teve o maior número de blocos devolvidos em Santos, com 32 concessões retornando para a União, a maioria áreas arrematadas pela Petrobras na 5ª rodada, reali- zada em 2003. De 2002 para cá, a região teve 115 blocos devolvidos. De 2004 a 2016, o interesse das empresas de aquisição de dados em Santos foi bastante parecido com o da Bacia de Campos. No perío- do, a ANP deu aval para cerca de 50 trabalhos de dados na região, entre aquisição, processamentos e repro- cessamentos 2D e 3D, além de estu- dos geoquímicos e geofísicos, aero- magnéticos e de gamaespectrome- tria. As empresas que mais tiveram campanhas autorizadas na bacia no período foram a PGS e a Western- geco, com oito autorizações cada. Libra é a joia da coroa da bacia, com 13 poços de extensão perfurados

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