Brasil Energia | Ed. 455 - Fevereiro, 2019

Brasil Energia , nº 455, 1 de fevereiro de 2019 49 As mudanças na regulação da geração distribuída de pequeno por- te (até 5 MW) propostas pela Aneel e em discussão ao longo deste ano estão focadas em incentivar modalidades commenor uso da rede – aquelas que geram no próprio local de consumo. Há preocupação também com o encolhimento do mercado das distribuidoras, que po- dem ter a remuneração reduzida, com consequente aumento de pre- ços para os demais consumidores. A agência mapeou pelo menos seis modelos de compensação dife- rentes, cada um com uma combinação de componentes tarifários que podem ser abatidos com a energia gerada. Atualmente, os créditos ge- rados são abatidos sobre todos os componentes. No caso mais extremo estudado pela Aneel, os consumidores só compensariam créditos sobre a parcela da tarifa referente à energia. Em todos os casos, sistemas que demandam menos da rede seriam mais atrativos, o que daria um sinal econômico para o tipo de instala- ção que a Aneel considera mais vantajosa para o sistema. A resolução 482/ 2012 já foi revisada, pela resolução 687/ 2015, que instituiu as modalidades de geração remota, compartilhada e de condomínios; alémde aumentar o limite de potência dos projetos, de 3 MW para 5 MW. As novas modalidades possibilitaram a instalação de sistemas fora das unidades de consumo, o que implica uma relação diferente com o uso da rede da distribuidora. Geração distribuída no local - Regras atuais valem por 25 anos para sistemas conectados até o final de 2019. Valem também por 10 anos para os sistemas conectados a partir de 2020, até que se atinja o ga- tilho de 3,365 GW (distribuído proporcionalmente para cada área de concessão de acordo commercado consumidor). A partir do gatilho, a recomendação é a Alternativa 1. Geração distribuída remota - Regras atuais valem por 25 anos pa- ra sistemas conectados até o final de 2019. Para os sistemas conecta- dos a partir de 2020, regras valem por 10 anos. Quando for atingido o gatilho de 1,25 GW para todo o mercado (previsão 2022), os sistemas passama se enquadrar na alternativa 1. A partir do segundo gatilho, de 2,13 GW, a recomendação é de adoção da alternativa 3. nadas a esses temas surgiram durante a consulta pública da Aneel sobre a re- visão da Resolução 482, mas a agência reguladora entende que essa discussão deve ser levada a um outro processo regulatório. Em seu relatório, o diretor Rodrigo Limp sinaliza a possibilidade de realização de uma segunda audiên- cia pública, no segundo semestre deste ano, para debater esses temas. NÚMEROS DO SETOR O segmento já movimenta bas- tante os negócios em todo o país. A Absolar estima que os usuários de geração distribuída investiram R$ 2,5 bilhões em sistemas desde 2012. A consultoria Greener estima que o número de empresas atuantes no mercado de geração distribuída no Brasil tenha saltado para 6 mil em ja- neiro de 2019, contra 2.741 em janei- ro de 2018. A estimativa representa um crescimento de 118%. “O mercado vem se pulverizando bastante, há mais dificuldade de ser competitivo emmuitos mercados que estejam longe da nossa base física”, co- menta o diretor da SolarVolt, Gabriel Guimarães. A empresa tem concen- trado sua atuação nos estados de Mi- nas Gerais, onde está sediada, e doRio de Janeiro, embora já tenha instalado projetos em 10 estados brasileiros. A empresa, com foco em consu- midores comerciais, industriais e da agroindústria, vê seus negócios cres- cerem, acompanhando o mercado. Estima faturamento da ordem de R$ 18 milhões em 2018, contra R$ 4 milhões em 2017. Em 2018, a Solar- Volt instalou 7 MW de projetos sola- res distribuídos, contra 1,5 MW em 2017. Para 2019, a expectativa é de entregar mais 13 MW, com projeção de faturamento de R$ 45 milhões. De acordo com pesquisa de merca- do realizada pela Greener, o número de empresas integradoras que afirmaram ter impressãoboaouótimaarespeitodo mercado GD para 2019 passou de 30% para 60%, de dezembro de 2017 para dezembro de 2018. A pesquisa foi reali- zada entre o final de 2018 e as primeiras semanas de janeiro deste ano, com ba- se em respostas de 690 empresas. Cerca de 78% dessas empresas não atuam ex- clusivamente com geração distribuída. Uma grande parte, 38%, tambémofere- ce serviços de eficiência energética. DESAFIOS Mesmo antes das mudanças, a ge- ração distribuída já lida com desafios comuns a novos mercados que cres- cem rápido. Para Gabriel Guimarães, da SolarVolt, uma das preocupações é a disponibilidade demão-de-obra para o setor que, pelomenos, em2019, deve continuar crescendo aceleradamente. Outra preocupação recorrente é que, na corrida para instalar novos TE - Energia TE - Energia TE - Energia TUSD - Fio B TE - Encargos TE - Encargos TE - Encargos TUSD - Perdas TUSD - Perdas TUSD - Perdas TUSD - Encargos TUSD - Encargos TUSD - Fio A TUSD - Fio A Modelo atual Alternativa 1 Alternativa 3 A proposta da Aneel

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