Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019

16 Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 ENTREVISTA THIAGO BARRAL O Brasil precisa urgentemente consolidar uma narrativa própria de transição energética, para participar do debate global levando em consi- deração suas vantagens e prioridades de desen- volvimento, defende o presidente da Empresa de Pes- quisa Energética (EPE), Thiago Barral. Para ele, o pa- ís, que tem um perfil energético de impacto baixo em comparação com seus pares, não deve buscar o corte de emissões “a qualquer custo”. O executivo participou do Berlin Energy Transi- tions Dialogue, realizado no início de abril na Alema- nha. O evento discutiu amplamente a necessidade de acelerar a redução de emissões de CO 2 do setor energé- tico global e reuniu representantes de governo de mais de 30 países – o Ministério de Minas e Energia não par- ticipou por conta da agenda dos 100 dias de gestão Bol- sonaro. Durante os debates, a vontade política e o interesse de agentes e países já estabelecidos e em posições do- minantes no mercado global de energia foram citados com frequência como desafios importantes para acele- rar a transição energética. Se quiser limitar o aquecimento global a “bem abai- xo” de 2º Celsius (C) em relação ao período pré-indus- trial, meta estabelecida no acordo de Paris, o mundo precisa fazer mais na eletrificação com base em renová- veis e eficiência energética. Estudo lançado em abril pe- la Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) projeta aumento de 2,5º C até 2050, caso as políticas e planos atuais sejam mantidos - cenário crítico para a vida humana. As emissões do setor precisariam cair em 70%, em relação ao nível atual, até 2050. Cerca de dois terços das emissões globais de CO 2 , principal causador do aquecimento, são relacionados ao setor de energia. E nos últimos cinco anos, segun- do a Irena, as emissões do setor cresceram 1,3% ao ano, em média. O cenário aumenta a pressão para a redução global de emissões ligadas a energia, mas o Brasil precisa se posicionar para não sair perdendo com possíveis res- trições, já que é um país com uma pegada de carbono baixa no setor. Nesta entrevista, o presidente da EPE se debruça so- bre estes temas. UMA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA À BRASILEIRA LÍVIA NEVES

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