Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019

22 Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 PANORAMA INTERNACIONAL A abertura do setor de pe- tróleo brasileiro não é um caso isolado na América Latina. Nos últimos anos, diversos países da região promove- ram reformas e intensificaram es- forços para atrair petroleiras e in- vestidores internacionais a fim de acelerar suas atividades de explora- ção e produção (E&P). Entre os casos de destaque, es- tão os do México – que, depois de acabar com o monopólio estatal no país, em 2014, promoveu mais de uma dezena de rodadas de lici- tação de áreas onshore e offshore –; da Guiana, que está se colocando no mapa de E&P mundial com im- portantes descobertas; e a Argenti- na, que acaba de promover sua pri- meira rodada offshore. Para especialistas, o movimen- to reflete não apenas a chegada de governos liberais ao poder, mas o crescente interesse de investidores sobre uma região com histórico de respeito a contratos, distante do eixo de guerras e terrorismo e que, junto à América do Norte, se con- solida como um dos maiores po- los de fornecimento de óleo e gás no mundo. “Hoje, a produção total nas Américas é páreo duro com a do Oriente Médio, até por conta das sanções econômicas sobre o Irã. E a qualidade das reservas descober- tas é espetacular, com risco explo- ratório baixo e custo de produção muito competitivo”, observa Ma- nuel Fernandes, sócio da KPMG. O consultor está certo: segun- do o último Statistical Energy Ou- tlook, da BP, as Américas pro- duziram cerca de 27 milhões de bopd em 2017, ante 31,6 milhões de bopd extraídos no Oriente Mé- dio naquele ano – isso mesmo com a brusca queda dos volumes ex- traídos na Venezuela. Em termos de gás natural, os ocidentais já es- AMÉRICA LATINA EM EVIDÊNCIA Longe do eixo de guerras e terrorismo e com relevantes descobertas de petróleo, os países produtores da região abrem caminho para o capital privado JOÃO MONTENEGRO

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