Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019

58 Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 CONSUMIDOR Foco em GD A Claro divide sua estratégia de energia em dois campos de atuação: pelo lado da oferta, por meio da negociação de contratos noACL para mé- dia tensão e com concessionárias; e pelo lado da demanda, comprogramas de eficiência energética e de geração distribuída. Hoje, cerca de 80%da de- manda de média tensão está no ACL, o que representa 140 unidades con- sumidoras, entre data centers, centrais e redes de transmissão. Com consumo total de aproximadamente 1,3 TWh/ano, o que gera um gasto anual por volta de R$ 1 bilhão para garantir energia a 55 mil unidades consumidoras, a Claro, no caso do consumo da baixa tensão, tem estratégia firme com geração distribuída. O plano é, até o fim do ano, estar em funcionamento 63 micro e miniusinas, com energia solar, de biogás, de cogeração qualificada e PCHs, segundo explica o diretor de suporte financeiro, João Pedro Correia Neves. Juntas, atenderão até 80% do consumo nessa tensão, ou cerca de 600 GWh/ano. Por enquanto, há nove plantas prontas, sendo cinco PCHs (São Pau- lo, Mato Grosso e Paraná) e quatro solares em Minas Gerais. “Temos também quatro prontas, mas que não conseguem se conectar na re- de por conta da morosidade das concessionárias, que insistem em não cumprir adequadamente as regras de conexão da resolução de GD“, afirma. Mesmo assim, a expectativa é, até o fim do ano, ter todas em operação, já que os projetos caminham dentro da normalidade. A operadora investe cerca de R$ 1,6 bilhão nos projetos de geração distribuída. As primeiras usinas solares foram instaladas em novembro de 2017 nas cidades de Várzea de Palmas e Buritizeiro, emMinas Gerais. Há outras com a mesma tecnologia para serem inauguradas em São Pau- lo, Ceará, Pernambuco, Brasília, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Piauí, Paraíba, Mato Grosso e Tocantins. Também estão planejados quatro par- ques eólicos: três no Rio Grande do Sul e um no Rio de Janeiro. Chama a atenção também os projetos de cogeração qualificada, em três miniusinas no Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe, tecnologia que aproveita o metano de poços de extração de petróleo para motoge- radores. Há ainda no programa seis usinas de biogás a serem implan- tadas em aterros sanitários nos estados de São Paulo e Minas Gerais, também construídas e operadas por parceiros, que firmarão contratos de venda de energia para compensação nas faturas da operadora. A estratégia de energia da Claro inclui ainda a contratação de 30 MW com a Engie no mercado livre, que será viabilizado pela construção da segunda fase do Complexo Eólico Campo Largo, na Bahia (com capaci- dade total de 360 MW), cuja previsão de entrada em operação é até 2020. Além da geração distribuída e a ação no mercado livre, a Claro tem política de eficiência energética com controle de consumo por automa- ção e retrofit de iluminação em suas instalações. Até o momento, cerca de 70% do parque de iluminação já foi trocado para LED, mas a meta é cobrir todas as unidades consumidoras com o sistema. tenas, torres e data centers, em re- giões metropolitanas e no interior do país. Para as operadoras fazerem essa engrenagem funcionar, o su- primento energético é peça central, com demanda e custo sempre em alta, o que leva a maioria das em- presas a terem profissionais espe- cialmente voltados para pensar na gestão e na eficiência energética. O consumo das grandes empre- sas de telecomunicações se dá em baixa e média tensão. Nas unidades consumidoras de média tensão, a sa- ída nos últimos anos envolve, prin- cipalmente, a migração para o mer- cado livre. Grandes grupos, como Vivo, Claro e Oi, segundo a CCEE, estão entre os dez maiores consumi- dores especiais na câmara de comer- cialização. Entre 2016 e 2017, o setor de telecom aumentou em 78% sua participação no ambiente de con- tratação livre (ACL) e, em 2018, a carga aumentou em 3,4% em com- paração com o ano anterior. Já na baixa tensão, a aposta é em projetos de geração distribuí- da. Claro, Tim e Oi, por exemplo, têm programas grandes em im- plantação, com fontes variadas (so- lar, biogás, cogeração, CGH). Já a líder Vivo inicia na área, a princí- pio com CGHs e depois com pro- messa de entrar na solar. Levanta- mento da consultoria RZK Energia afirma que as cinco maiores opera- doras (incluindo a Nextel, agora da Claro) têm carga de 300 MW mé- dios em unidades de baixa tensão, que podem se beneficiar de pro- jetos de geração distribuída, em qualquer modalidade de consumo, mas, principalmente, no autocon- sumo remoto. Confira a seguir os planos das principais operadoras do país na área de energia.

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