Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019

Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 61 Rachel Andalaft O Brasil pretende conquistar US$ 100 bilhões em investimentos estrangeiros, de acordo com estimativas de investidores presentes no último Fórum Econômico Mundial, em Davos. Será o maior volume desde 2012, quando o país recebeu US$ 93 bilhões. Boa parte desses recursos, previstos para entrar como Investimento Es- trangeiro Direto, deve seguir para a área de infraestru- tura via mercado de capitais. Quem acompanha de perto o Brasil sabe que os ativos ainda estão subavaliados, já que seus preços não refletem totalmente os potenciais benefícios caso todas as reformas anunciadas pelo governo se concretizem. Isso sem contar seu potencial para crescer nos próximos três anos, assumin- do a dianteira para atrair aportes financeiros entre os lati- no-americanos, como Argentina e México, por exemplo. O setor de infraestrutura, com especial atenção ao seg- mento de energias renováveis, terá espaço para a captação de uma fonte de capital com enorme potencial: os inves- timentos alternativos por investidores institucionais. Esta- mos falando de fundos de pensão, fundos de investimen- to, family offices, bancos e seguradoras; investidores que se destacam pelo alto nível de diligência e governança de seus  Investment Commitees , gestão de risco elaborada, e aptidão em gerar altas taxas de retorno. Este grupo tem potencial de promover redução de custos que pode chegar a até 30% em relação aos seus pares estratégicos. Em função dos baixos juros praticados na Europa e na América do Norte, tais investidores também se des- tacam por sua acentuada liquidez. Dados da Climate Policy Initiative estimam disponibilidade de até US$ 40 bilhões por ano em projetos de energias renováveis, co- mo solar e eólica, no mundo todo. Impressiona o fato de que, apesar da liquidez, menos de 10% desse valor tem sido efetivamente aportado. Neste contexto, ganham destaque os empreendi- mentos de energia renovável no Brasil. O potencial so- lar e eólico brasileiro é um dos maiores do mundo. So- ma-se a isso o aumento global da competitividade des- tas fontes refletido, sobretudo, na queda de preços dos equipamentos. Apesar do crescente interesse na participação de in- vestimentos institucionais diretos em projetos no Bra- sil, ele ainda pouco se concretiza em função de bar- reiras econômicas e regulatórias. O anúncio da Lyon Capital da aquisição de ativos de energia solar no Rio Grande do Norte, em fevereiro de 2019, cria preceden- tes necessários para impulsionar o mercado. A situação é recorrente entre investidores institucionais, há inte- resse e apetite, mas são freados pela cautela em aguar- dar medidas concretas do governo. Para que as oportunidades se concretizem algumas ações são essenciais. A criação de um Ministério de In- fraestrutura é uma iniciativa louvável, pois reduz o tem- po de consulta e aprovação de projetos, antes divididos em diversas autarquias e ministérios, e facilita a execu- ção de obras para depois de 2020, ano em que se encer- ra parte expressiva dos projetos mapeados no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Outra promessa é o fortalecimento das agências reguladoras – importantís- simo para garantir previsibilidade e regras claras. Os ges- tores de fundos também aguardam, com cautela, a pauta econômica, como o ritmo de aprovação da reforma da Previdência e cortes na despesa do orçamento federal, que ameaça a sustentabilidade fiscal. Tal conjunto de medidas tem o potencial de redefi- nir o “risco Brasil” percebido pelos investidores. Aliado aos juros mais baixos, retomada do crescimento eco- nômico, robustez institucional e esperança de desbu- rocratização, abre caminho mais fluido para a capta- ção de recursos estrangeiros em energias renováveis no país. Já a velocidade dos investimentos será na mesma proporção do ganho de confiança no mercado. INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS DIRETOS MIRAM ENERGIAS RENOVÁVEIS Rachel E. Andalaft é fundadora da REA Consult, consultora e gestora junto a investidores institucionais

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