Brasil Energia | Ed. 457 - Julho, 2019

Brasil Energia , nº 457, 1 de julho de 2019 19 Como a Petrobras enxerga a mudança no nível de enxo- fre para combustíveis de navio (bunker) a partir de janeiro de 2020? A redução do nível de enxofre nos combustíveis ma- rítimos oferece à Petrobras a oportunidade de aumen- tar sua participação nos mercados globais de óleo com- bustível e bunker de forma rentável, além de conferir maior valorização ao petróleo brasileiro, com baixo te- or de enxofre. O óleo do pré-sal é muito atrativo para refinarias sem alto poder de conversão ou tratamento. Sendo a Petrobras importante produtora de óleo com- bustível de baixo teor de enxofre, utilizado para formu- lar este produto, enxergamos uma grande oportunida- de de colocar o produto no mercado externo. A Petrobras pode voltar a operar em Cingapura? O Extremo Oriente é um dos principais destinos para as cargas de óleo combustível exportadas pela Pe- trobras, e as operações de venda desse produto em Cin- gapura são bastante frequentes. Até meados de 2016, a Petrobras dispunha de tancagens destinadas às opera- ções de óleo combustível e bunker com baixo teor de enxofre e era um dos principais players nesses merca- dos. Agora, motivada pela alteração da qualidade do bunker e visando à intensificação das operações no Ex- tremo Oriente, a Petrobras contratou, novamente, tan- ques em Cingapura. As refinarias brasileiras estão preparadas para atender à nova regulamentação? As refinarias da Petrobras, conforme o planejamen- to traçado para essa mudança, estão nos preparativos finais para iniciar a produção, em definitivo, do bunker com a nova regulamentação. Cabe ressaltar que gran- de parte do bunker vendido na costa brasileira hoje já possui baixo teor de enxofre devido à qualidade do pe- tróleo nacional processado. A mudança pode modificar a configuração do refino na- cional, incrementando, por exemplo, a capacidade de hidro- tratamento (HDT) de derivados médios? A Petrobras vem, ao longo dos últimos dez anos, investindo em unidades de conversão e tratamento que, certamente, serão beneficiadas por essa nova re- gulamentação. A princípio, não foi prevista nenhuma alteração no hardware das refinarias especificamen- te para atendimento à IMO 2020, entretanto, algumas unidades, como as de coqueamento e de hidrotrata- mento (HDT), deverão operar perto de suas capaci- dades nominais. Para produção do novo bunker, po- derão ser utilizadas matérias-primas e diluentes antes não utilizados. Quais os impactos esperados no custo do transportemarítimo? Naturalmente, com a elevação do custo de operação (preço de bunker), é esperada uma valorização dos fretes. Qual o balanço da comercialização de bunker da estatal? A Petrobras comercializa bunker nos seguintes por- tos: Rio Grande, Paranaguá, Santos, São Sebastião, An- gra dos Reis, Rio de Janeiro, Vitória, Salvador, Fortale- za, São Luís, Belém e Manaus. A quantidade comercia- lizada não é divulgada por ser parte da estratégia co- mercial da companhia. n Foi um pioneirismo técnico e jurídico porque criamos uma compatibilização de interfaces entre as regras próprias de navios com as de plataforma

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