Brasil Energia | Ed. 457 - Julho, 2019
36 Brasil Energia , nº 457, 1 de julho de 2019 Siddhartha Sen Siddhartha Sen é diretor de Energia, Pesquisa e Análise da IHS Markit VACA MUERTA: UMA HISTÓRIA NÃO-CONVENCIONAL EM DESENVOLVIMENTO A região de Vaca Muerta, na Argentina, é identifica- da como o próximo local de destaque para a explora- ção e produção de recursos não-convencionais. O cres- cimento em termos de volume de produção foi foco de atenção nos últimos anos, mas, agora, a disciplina de capital se tornou o tema central. A formação argentina é uma das mais promissoras do mundo. Hoje, está em processo de transição, e pre- cisaremos esperar para ver como essa história vai se de- senvolver. Somente o tempo dirá se os investimentos vão gerar volume ou qualidade no longo prazo. A atividade não convencional em Vaca Muerta teve início em 2011 com a Repsol YPF e, dois anos depois, havia mais de 100 poços perfurados na região. Embo- ra a produção de gás em formações de baixa permea- bilidade (tight gas) tenha superado a produção de gás de folhelho (shale gas) em 2016, espera-se que a maior parte da atividade no futuro seja voltada ao desenvolvi- mento desse último tipo de recurso. A região é considerada um caso de sucesso na ex- ploração e no desenvolvimento de recursos não con- vencionais fora dos EUA. Há muitas empresas ativas na região, sendo que a YPF lidera a maior parte dos pro- jetos. Entre outras petroleiras que estão desenvolvendo ativamente Vaca Muerta estão a Chevron, Shell, Equi- nor, Total e Pluspetrol. A formação argentina se beneficiou das atividades de desenvolvimento em reservas não convencionais norte-americanas. O custo da perfuração de um poço horizontal na região diminuiu significativamente nos últimos anos, passando de US$ 14 milhões em 2014 pa- ra cerca de US$ 8,25 milhões. O break-even dos proje- tos na região também foi reduzido no período, de apro- ximadamente US$ 94/barril para US$ 40/barril. A redução de custos tem papel importante na via- bilidade econômica da formação de Vaca Muerta. Por exemplo: a diminuição de 10% nos custos de perfura- ção e completação pode aumentar o valor presente lí- quido do projeto de desenvolvimento em cerca de 5%. O investimento total deve atingir seu pico por volta de 2030. A maior parte dos aportes no curto prazo será impulsionada pelos blocos que já estão sendo explora- dos e desenvolvidos. Naquele ano, a expectativa é que os investimentos em ativos previstos para iniciar pro- dução a partir de 2020 irão superar os direcionados aos projetos em operação. Embora os investimentos no desenvolvimento de Vaca Muerta devam aumentar, será importante acom- panhar a evolução do equilíbrio entre o crescimento volumétrico e o retorno dos investimentos na região. Além disso, desafios, como infraestrutura e disponi- bilidade limitadas de fornecedores de bens e serviços, também representam incertezas para o desenvolvi- mento da formação. É possível que as empresas façam investimentos conjuntos no desenvolvimento da infraestrutura da região. Um cenário competitivo, com diversas petro- leiras compartilhando e adotando tecnologias, práti- cas recomendadas e soluções criativas para levar os crescentes volumes de produção às regiões de deman- da será positivo para o desenrolar da história da for- mação de Vaca Muerta.
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