Brasil Energia | Ed. 457 - Julho, 2019

58 Brasil Energia , nº 457, 1 de julho de 2019 EÓLICA A partir do final de 2020, o Brasil já deve começar a ope- rar as primeiras turbinas eó- licas com mais de 5 MW de capacidade, recebendo modelos cujos protótipos ainda estão em teste, si- multaneamente a outros mercados. Os planos das fabricantes são uma resposta à queda de preços e à compe- tição por contratos em um mercado com muitos projetos em estoque. Os novos modelos, embora não apresen- tem mudanças significativas no dese- nho da tecnologia, entregamuma po- tência nominal maior, com pratica- mente a mesma infraestrutura. Atualmente, o maior aerogera- dor credenciado pelo BNDES tem 3,4 MW, modelo SG 134 oferecido pela Siemens Gamesa. Mas todas as companhias já iniciaram a oferta de turbinas com mais de 4 MW, a maior parte nacionalizada. O maior aerogerador entre os lançamentos anunciados para o mercado brasileiro também é da Siemens Gamesa, a companhia tra- rá para o mercado brasileiro sua turbina de 5,8 MW de capacida- de, cujo protótipo será testado nes- te ano na Espanha. A expectativa é que a produção brasileira do novo modelo inicie em 2021. As pás para esta máquina te- rão 83 metros de comprimento. De acordo com Roberto Prida, dire- tor da Siemens Gamesa no Brasil, a companhia realizou um estudo preliminar, antes de aprovar a na- cionalização da turbina, e concluiu que não há riscos significativos pa- ra a logística do componente. A empresa ainda não fechou o forne- cimento para essas peças e não abre quanto será investido na nova linha de produção. Para o modelo atual, de 3,4 MW, a companhia tem con- trato de fornecimento com a L&M Windpower, uma empresa subsidi- ária da GE. No ano passado, a empresa co- meçou a entregar suas máquinas de 3,4 MW, com as quais conquistou grande parte dos contratos atrela- dos ao mercado regulado fechados em 2017, quando esta era a maior turbina disponível. Prida conta que os anúncios recentes de outros fa- bricantes divulgando novos aero- geradores, na faixa de mais de 4 MW, influenciou a decisão da em- presa de nacionalizar uma nova máquina em pouco tempo. “O ciclo de vida de uma máquina era mui- to mais longo. Agora o desenvolvi- mento tecnológico está acelerando, até mesmo para competir com ou- tras fontes”, justifica. A companhia temmais de 1 GW de pedidos em carteira, da platafor- ma atual de 3,4 MW, para entregar entre 2020 e 2021, o que equivale a 80% de sua atual capacidade pro- dutiva. Esses contratos envolvem ordens de 470 MW para a Neoe- QUEBRANDO A BARREIRA DOS 5 MW Fabricantes trazem para o mercado brasileiro modelos que são lançamentos globais, além de estudar soluções para um mercado em transformação LÍVIA NEVES

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