Brasil Energia | Ed. 457 - Julho, 2019

62 Brasil Energia , nº 457, 1 de julho de 2019 EÓLICA A empresa investiu € 23 milhões na adaptação da cadeia e já tem todos os contratos de fornecimento fechados. O investimento inclui o molde das pás enviado para a Aeris, que fabrica- rá os componentes, com 73,3 metros. A companhia brasileira WEG também lançou um novo modelo para os próximos leilões, o aeroge- rador AGW147/4.0. O aerogerador terá 4 MW de potência e 147 metros de diâmetro de rotor. Os aerogera- dores da fabricante usam tecnolo- gia de acionamento direto (também chamada de direct drive ou de ge- arless), que dispensa a caixa de en- grenagens principal (gearbox), pro- metendo uma manutenção simplifi- cada e mais ágil. De acordo com a WEG, o aerogerador é projetado pa- ra as condições de vento e climáti- cas do Brasil e conta com a cadeia de fornecimento da companhia, forte- mente verticalizada, o que deve re- sultar em ganhos na rapidez da en- trega dos equipamentos. ML, HIBRIDIZAÇÃO E NOVOS NEGÓCIOS As empresas não estão apostan- do apenas em aerogeradores maio- res. As transformações e novas ten- dências do mercado, embora afetem mais diretamente os geradores, tam- bém provocam os fornecedores. GE, Siemens Gamesa e Vestas desenvol- vem em outros mercados soluções híbridas, para integrar outras fontes, especialmente a solar, aos parques eólicos. “Estamos no primeiro está- gio de desenvolvimento de parcerias bastantes fortes para o setor solar”, diz Prida, da Siemens Gamesa. A Vestas também tem se engaja- do na discussão sobre hibridização de projetos. “Temos incursões tanto comórgãos reguladores quanto com formuladores de políticas públicas”, diz Zampronha. Segundo o executi- vo, o interesse de clientes nesse tipo de projeto tem crescido. AVestas ad- quiriu, neste ano, participação ma- joritária na desenvolvedora de pro- jetos Sowitec, que também tem ex- periência no mercado fotovoltaico. O codesenvolvimento de pro- jetos também é uma possibilidade estudada pela GE. A ideia é a com- panhia participar em etapas ante- riores, com acordos de exclusivida- de no fornecimento de máquinas. A parceria da fabricante com a Matrix Comercializadora, com o objetivo de desenvolver até 500 MW para o mercado livre, é um ensaio para esse tipo de negócio. “Não conseguimos ainda colocar projetos para funcio- nar. Foi tudo ao mesmo tempo, es- se é um momento em que estamos mais maduros para colocar o proje- to para rodar”, diz Rosana Santos. O crescimento do mercado livre, inclusive, pode incentivar a GE a de- senvolver novos produtos comerciais, considerando as demandas específi- cas do setor, como operação persona- lizada e adaptada ao comportamento do consumidor livre. “Se a receita dos nossos clientes vai variar conforme o contrato que eles estão assinando, tal- vez possamos ajudar a adaptar a ope- ração a essa curva de receita dele. Isso não é fato ainda, mas é algo que ve- jo como tendência”, explica a diretora. Outra possibilidade vislumbra- da pela Siemens Gamesa, diz Prida, é entrar com opções de financia- mento para novos projetos no fu- turo. A companhia tem, em outros mercados, um braço de financing que poderia ofertar novos produ- tos para o setor, inclusive aportan- do equity em projetos. Em um mercado competitivo e em transformação, a indústria eóli- ca deve buscar cada vez mais diver- sificar e incorporar novas soluções ao seu negócio principal. n Vestas planeja para o fim de 2018 a entrega dos primeiros aerogeradores de 4,2 MW a projetos como o Complexo Folha Larga, na bahia POTÊNCIA NOMINAL MÁXIMA DE AEROGERADORES POR FABRICANTE Fabricante 2018 2019 2020/2021* GE 2,7 2,7 5,3 Nordex 3,15 3,15 5 Siemens Gamesa 3,75 3,75 5,8 Vestas 2,2 4,2* 4,2 WEG 2,2 2,2 4 Wobben 2,3 2,3 4,3** *previsão **importada

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