Brasil Energia | Ed. 457 - Julho, 2019
70 Brasil Energia , nº 457, 1 de julho de 2019 DESCOMISSIONAMENTO OFFSHORE FPSO Capixaba, nos campos de Ca- chalote e Baleia Franca. Além desses projetos, a Petrobras se prepara para descomissionar linhas flexíveis, monoboias e uma boia de sustentação de risers (BSR) – esta úl- tima no campo de Congro, na Bacia de Campos. Desde o final de 2018, a estatal faz consultas ao mercado (RFI, na sigla em inglês) para avaliar a capa- cidade e interesse de fornecedores so- bre os serviços. IOCS EM CAMPO Apesar da concentração da ativi- dade nas mãos da estatal, a tendên- cia é que petroleiras privadas entrem em cena mais adiante, especialmen- te aquelas que comprarem ativos maduros da Petrobras. As empresas poderão negociar responsabilida- des de descomissionamento de ins- talações nas áreas vendidas que não serão utilizadas pelo novo operador, registrando as decisões no termo de cessão apresentado à ANP. Quem também está atenta ao as- sunto é a Shell. Desde 2016, a anglo- -holandesa mantém um grupo de trabalho focado em estudar o futuro descomissionamento do Parque das Conchas e dos campos de Bijupirá e Salema, na Bacia de Campos. Antes, no entanto, a intenção é investir em sua manutenção e no aumento do fa- tor de recuperação e extensão da vida útil dos ativos. Em março, a companhia iniciou nova campanha de perfuração que in- clui dois poços noParque dasConchas. No caso de Bijupirá e Salema, investi- mentos na modernização e manuten- çãodaFPSOFluminense estãoemcur- so, como objetivo de estender sua vida útil empelomenos cinco anos. “Estamos aproveitando nossa presença e rede globais para estudar as melhores práticas aplicadas em outros países. No momento, o des- comissionamento ainda está em fase inicial de avaliação, em diálogo com diversos players da indústria e agen- tes regulatórios”, informa a petroleira via assessoria de imprensa. REVITALIZAÇÃO DE ATIVOS Os planos da Shell estão em linha com as orientações da ANP, no senti- do de ampliar a recuperação das re- servas de óleo e gás brasileiras.A agên- cia espera que esse tipo de investimen- to seja estimulado pela resolução que trata da cessão de campos, publicada emmaio. Com a nova regra, as com- pradoras de campos maduros podem submeter, junto ao pedido de cessão, novos planos de desenvolvimento contemplando prorrogação contratu- al e estimativas atualizadas dos custos de descomissionamento. Um exemplo bem-sucedido de revitalização de ativos offshore no Brasil é o da PetroRio. A compa- nhia conseguiu ampliar a estimati- va de produção do campo de Polvo em mais de 50% após a perfuração de três novos poços em 2018. A previsão é perfurar outros quatro ainda neste ano, além de in- vestir em recuperação avançada via técnicas de injeção de polímeros e perfurações laterais, a fim de esten- der a vida útil do campo até 2030. Nos próximos anos, a petroleira brasileira pretende replicar a estratégia no campo de Frade, também localiza- do na Bacia de Campos, além de com- prar outros ativos que apresentempos- sibilidade de avanços similares. “A PetroRio tem mostrado que é capaz de fazer muito com pouco,” re- sumiuodiretor deRelações comInves- tidores da petroleira, Blenner Mayhew, durante conferência comanalistas. IMPACTOS NA LOGÍSTICA Os projetos de descomissionamen- to já começam a mexer com o seg- mento de apoio marítimo. Postulantes ao contrato para retirar as plataformas fixas do campo de Cação, na Bacia de Campos sondamomercado embusca dePSVs,FSVs (transportedepessoal) e heavy lifts (embarcações com guindas- te para fazer o içamento das jaquetas). O edital da licitação de Cação prevê a retirada de todos os equipa- mentos e materiais de superfície, co- mo passarelas (gangways), guindas- tes, topsides e jaqueta, além de ma- teriais identificados com a presença de radiação de ocorrência natural (NORM, na sigla em inglês). n Simulação de remoção de jaqueta com embarcação do tipo heavy-lift
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