Brasil Energia | Ed. 457 - Julho, 2019

82 Brasil Energia , nº 457, 1 de julho de 2019 HIDRO “P aulo Afonso/Se ligarem mais um fio/Você ilu- mina o Rio/São Pau- lo e toda a nação”. O baião-exaltação “Paulo Afonso”, de Gordurinha, gravado em 1959 por Ary Lobo, não foi o primeiro su- cesso homenageando o aproveita- mento hidrelétrico em larga escala da cachoeira de Paulo Afonso, en- tre Bahia e Alagoas. Em 1955, Luiz Gonzaga já lançara, com o mesmo título, a parceria dele com Zé Dan- tas em que homenageavam a inau- guração, em janeiro daquele ano, da usina “Paulo Afonso I” (PA I), de 180 MW – a primeira das cinco hi- drelétricas que compõem o Com- plexo Paulo Afonso, de capacidade total de 4.279,6 MW e que é o ter- ceiro maior aproveitamento hidre- létrico exclusivamente brasileiro, atrás apenas de Belo Monte (11.233 MW) e Tucuruí (8.000 MW). Apesar da grandiosidade na época, o complexo opera, hoje, basicamente com duas usinas. No início de junho, mais precisamente no dia 3/6, foram gerados apenas 731MW, concentrados na usina PauloAfonso IV, segundo da- dos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O volume correspon- de a 17,1% da capacidade nominal do complexo e a 7% da carga demanda- da pela regiãoNordeste naquele dia, de 10.430MW. As usinas 1, 2 e 3 do com- plexo, além da “Apolônio Sales” (Mo- xotó), estão paradas desde 2014, como giro esporádico e alternado das turbi- nas apenas para tarefas demanutenção. O FIM DE UMA ERA Antes responsável pelo abastecimento integral do Nordeste, o Complexo de Paulo Afonso tem papel secundário na região, impactado pela hidrologia e pelo avanço de outras renováveis, como eólica e solar CHICO SANTOS Severino Silva/Chesf

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