Brasil Energia | Ed. 458 - Agosto, 2019

50 Brasil Energia , nº 458, 9 de agosto de 2019 PERSPECTIVAS O cenário traçado pela ANP não considera o Sistema Definitivo de Atlanta, da Enauta, cujo início está previsto para 2022, nem os projetos de Sergipe Águas Profundas, da Pe- trobras (2023), Carcará, da Equinor (primeiro óleo entre 2023 e 2024), Gato do Mato, da Shell (possivel- mente em 2023), ou o de Neon, da Karoon, ainda sem definição, mas inicialmente programado para 2021. A previsão da agência é que, até 2023, a produção brasileira de pe- tróleo saltará dos atuais 2,73 mi- lhões de b/d para 4,8 milhões de b/d, e a de gás natural, de 118 mi- lhões de m³/d para 168,7 milhões de m³/d. São altas de 75% e 42%, respectivamente. Até lá, a Bacia de Santos, que de- ve encerrar 2019 respondendo por 57,4% da produção do país, passa- rá a concentrar quase 65% do total. Já a Bacia de Campos verá sua par- ticipação cair de 33,2% para 28,9%. Além da 16ª rodada de conces- sões, da 6ª de partilha de produção e do leilão do excedente da cessão onerosa, neste ano, o calendário de leilões da ANP prevê a realização de três rodadas em 2020 – 7ª e 8ª do pré-sal e 17ª de concessões – e uma em 2021 (18ª de concessões). A projeção é que projetos asso- ciados aos 72 blocos leiloados desde 2017 no país implicarão uma deman- da por 20 novas plataformas e entre 200 e 400 poços, com investimentos da ordem de US$ 112 bilhões. “Nos próximos dez anos espera- mos alcançar 7,5 milhões de bopd e mais de 50 plataformas de produ- ção”, assinalou o assessor da ANP, André Regra, durante a Norship- ping 2019, realizada em junho, na Noruega. A reboque dos novos projetos virá toda uma cadeia de bens e ser- viços. A Secretaria de Desenvolvi- mento Econômico do Estado do Rio de Janeiro estima, por exemplo, que serão necessárias novas 270 embarcações para apoiar platafor- mas e sondas até 2030. De olho na demanda por apoio logístico, o terminal Sepetiba Te- con, em Itaguaí (RJ), promove um road show com as principais petro- leiras que farão campanhas de de- senvolvimento na Bacia de Santos para conhecer o projeto: uma base offshore com berço de atracação e 220 m de cais, 8 m de calado e 100 mil m² de retroárea. “O cenário é promissor pelas conversas mantidas com as IOCs e por estarmos a menos de 300 milhas náuticas dos principais campos da Bacia de Santos a par- tir do continente”, diz Maurício Pacheco, responsável pela área de Novos Negócios e Projetos Logís- ticos de Oil&Gas. EARLY ENGAGEMENT Fornecedora de bens e serviços submarinos, a italiana Saipem acre- dita que ainda será preciso mais tempo para haver uma retomada de fato no mercado. “Por enquan- to, a quantidade de serviços e pro- dutos em aquisição e/ou licitação é muito tímida, considerando-se o potencial do Brasil”, diz o diretor- -presidente da empresa no Brasil, Flavio Piccio. Além da chegada de novas “ma- jors” ao mercado, o executivo des- taca a presença de operadoras in- dependentes, com novas propostas de desenvolvimento de campos e o gerenciamento de ativos maduros que irão requerer investimentos específicos. Sobre novos modelos contratu- ais, Piccio cita a implementação de mudanças para viabilizar o chama- do “early engagement”, que visa tra- zer os fornecedores para fases ini- ciais dos projetos, a fim de garantir maior previsibilidade e eficiência. Atenta à questão, a Petrobras lançou, no final de junho, uma no- va funcionalidade dentro de seu Canal Fornecedor que permite às

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