Brasil Energia | Ed. 458 - Agosto, 2019
Brasil Energia , nº 458, 9 de agosto de 2019 55 até o final de 2020. Em abril, a compa- nhia lançou uma concorrência para a aquisiçãodeumequipamento,alémde treinamento de pessoal especializado e serviços demanutenção. O aumento da capacidade ajuda a melhorar o processamento de dados de geoengenharia (geofísica, geologia e engenharia de petróleo) pela aplica- ção de algoritmos matemáticos de alta complexidade, gerando imagens com melhor definição e resolução do sub- solo das bacias sedimentares. O crescente foco das atividades ex- ploratórias no pré-sal é um estímulo a mais para o investimento, viabilizando maior assertividade dos projetos e di- minuição de riscos. “Praticamente todas as áreas de pesquisa do setor utilizam supercom- putadores,mas a maior parte do esfor- ço se concentra na exploração, com o imageamento sísmico, e na produção, para a simulação de reservatórios” ex- plica o professor Álvaro Coutinho, co- ordenador do Núcleo Avançado de Computação de Alto Desempenho (Nacad) da Coppe/UFRJ. No Brasil, o avanço no processa- mento de dados está diretamente li- gado a colaborações da indústria com universidades federais que apoiam as pesquisas do setor de petróleo. A Co- ppe, por exemplo, abriga o supercom- putador Lobo Carneiro, adquirido com recursos da Petrobras. Com 226 teraflops de capacidade, o aparelho apoia 70 projetos e tem 200 usuários, acumulando atuação em mais de 195 mil processamentos. Também em parceria com a esta- tal, a Universidade Federal Fluminen- se (UFF), emNiterói (RJ), desenvolveu um projeto para identificar áreas mais propensas a descobertas de petróleo por meio de ondas acústicas captura- das no subsolo. Para isso, foi necessária a realização de trilhões de cálculos via computação paralela (Compute Uni- fied Device Architecture – Cuda), com cálculos simultâneos. Já a Universidade Federal do ABC Paulista (UFBAC) temdois supercom- putadores que desenvolvem trabalhos emquímica, física e engenharia dema- teriais, com estudos de propriedades de átomos e moléculas de compostos sólidos e líquidos. As máquinas darão suporte ainda a uma pesquisa da ANP lançada em 2018 com foco na forma- ção de recursos humanos nas áreas de óleo e gás e biocombustíveis. Com cer- ca de 30 teraflops de capacidade e 2,4 mil núcleos, elas foram compradas com recursos da Finep e Fapesp. Para aumentar sua capacidade de armazenamento de dados digitais, a Superintendência de Dados Técnicos da ANP adquiriu uma solução que li- da com dados de sísmica, tomografias computadorizadas de amostras e dados digitais de poços de grandes dimensões (da ordemde terabytes), emummode- lo similar a uma“nuvem”. Com investimentos de R$ 12 mi- lhões, o robô Hermes deve reduzir em 60% os custos de aquisição dos dados para as empresas. “A superintendên- cia vemhá anos estudando alternativas de armazenamento queminimizemos custos e ofereçam segurança e desem- penho para os dados técnicos de E&P gerados no Brasil e recebidos e arma- zenados pela agência”, explicou a ANP, via assessoria de imprensa. A tecnologia foi desenvolvida pela IBM, responsável pela criação do su- percomputador mais potente da in- dústria de óleo e gás, de acordo com a lista Top500.org. O Pangea III come- çou a operar este mês para a petrolei- ra francesa Total, commais de 291 mil núcleos e capacidade máxima de 17,8 mil teraflops. Projetos no Brasil foram um dos motivos da operadora francesa para ampliar sua capacidade de processa- mento, que hoje totaliza 31,7 petaflops, o equivalente a 170mil laptops juntos. “Novos algoritmos podem pro- cessar enormes quantidades de dados comprecisão,maior resolução e ajudar a localizar de maneira mais confiável hidrocarbonetos. Isso é especialmen- te útil em ambientes geologicamente complexos com recursos abaixo da ca- mada de sal, como no Brasil, Golfo do México,Angola e no Leste doMediter- râneo,”explicou a Total ao apresentar o novo equipamento. A prestadora de serviços sísmicos PGS já vislumbra apossibilidadede,no futuro, apoiar atividades exploratórias comousode computadores quânticos, que analisamocomportamentodeob- jetos em nível atômico. A companhia acredita que as capacidades de“machi- ne learning” desses equipamentos aju- dariama processar problemas comple- xos emmenores frações de tempo. Hoje, computadores quânticos são usadosparasimulareentenderprocessos químicos e propriedades de materiais, aplicando criptografia, segurança digital e inteligência artificial no processamento dedadosde formamais eficiente. “Um computador quântico com apenas 100 qubits [bits quânticos] se- ria, teoricamente, mais poderoso que todos os supercomputadores doplane- ta juntos, e algumas centenas de qubits poderiamrealizarmais cálculos instan- taneamente do que átomos no univer- so conhecido”, defendeu a PGS em tex- to publicado emmaio deste ano. Hoje, o supercomputador opera- do pela PGS, o Abel, já está entre os 50 maiores domundo. Localizada nos Es- tados Unidos, a máquina tem 146 mil núcleos e capacidade de processamen- to de 4mil teraflops. n
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=