Brasil Energia | Ed. 458 - Agosto, 2019
Brasil Energia , nº 458, 9 de agosto de 2019 57 zar o licenciamentoambiental de um estoque de 536 poten- ciais PCHs. Segundo o Plano da Operação Energética (PEN) 2019-2023, recentemente di- vulgado pelo ONS, a capaci- dade instalada em hidrelétri- cas, incluindo PCHs, do Bra- sil vai pular de 109.212 MW em 31 de dezembro de 2018 para 114.585 MW em 31 de dezembro de 2023, embo- ra a participação relativa da fonte na matriz elétrica deva cair de 67,6%para 64,3%em razão do crescimento de ou- tras fontes como eólica, solar e térmicas. 15 GW EM NOVOS PROJETOS De acordo com Barros, o plano do MME é iniciar estudos de modo a co- locar o potencial de hídricas entre 200 e 1.000 MW, que ele estima em 15 mil MW, já no PlanoDecenal de Expansão de Energia 2030 (PDE 2030) a ser di- vulgado em 2020 pela EPE. O secretá- rio ressaltou que não serão as mesmas usinas que já estão listadas no PDE 2027, elaborado em 2018 pela empre- sa de pesquisa, e continuamno papel. No PDE 2027 estão nove UHEs, totalizando 1.898 MW, com entra- das em operação previstas para entre 2024 e 2027, sendo que somente du- as delas, Tabajara (rio Ji-Paraná), com 400 MW, entre Rondônia e Amazo- nas, e BemQuerer (rio Branco), com 650 MW, em Roraima, teriam porte semelhante às do estudo que o MME pretende agilizar. No caso do PDE 2027, as dificuldades vão do licencia- mento ambiental à falta de apetite dos empreendedores. Os planos do MME para o resgate das hidrelétricas não param aí. Segun- do Barros, outro objetivo na mira, para a partir de 2020, é refazer os estudos das usinasdochamadoComplexodoTapa- jós, comcinco usinas – São Luiz, Jatobá, Jamanxim,CachoeiradoCaí eCachoei- ra dos Patos –, totalizando 10.682 MW. “Como o Ibama não aprovou [as usi- nas],vamos terque saberquais foramas exigências e refazer os estudos para rea- presentá-los”, explicou. TÉRMICAS CARAS PRESSIONAM RESERVATÓRIOS Os objetivos do MME relata- dos por Barros vão ao encontro do que defende o especialista do setor energético Roberto Pereira D’Araújo, diretor do Instituto Ilu- mina. Crítico da expansão das ter- melétricas ocorrida no Brasil a par- tir do racionamento de energia elé- trica de 2001, D’Araújo se vale do aqui já citado PEN 2019-2023. No Plano, o ONS diagnosti- ca: a crise hídrica na região Nordes- te, que se prolonga desde o verão de 2011/2012, pode levar o Sistema In- terligado Nacional, nos pró- ximos anos, a um “período crítico de dimensões pró- ximas às do período crítico histórico de junho de 1949 a novembro de 1956”. O PEN mostra ainda que 42% das usinas terme- létricas da matriz brasileira (o correspondente a 7.790 MW) têm custo superior a R$ 250/MWh, fazendo com que elas somente sejamdes- pachadas em “situações hi- drológicas críticas, debitan- do os estoques estratégicos de água armazenados nos principais reservatórios de regularização do SIN para atendimento à carga”. Essa situação, de acordo com o ONS, torna o sistema dependen- te de despacho de térmicas fora da ordem de mérito econômico e tam- bém muito dependente da próxima estação chuvosa para prover a recu- peração estrutural do sistema, algo ainda mais complicado na situação de crise hídrica que se prolonga no Nordeste desde o início da década. D’Araújo se apoia nessas pondera- ções do ONS para atacar as térmicas e defender a expansão das hidrelétricas, ainda que a fio d’água. Ele observa que oBrasil triplicou,desde 2001, a potência instalada em térmicas, de 11 mil MW para 33 mil MW em números aproxi- mados, sem atentar para o fato de que essas usinas, por serem em grande par- te excessivamente caras, como aponta o ONS, acabam contribuindo para esva- ziaros reservatórios.“SãoPedronãopo- de ser apontado como‘omalvado favo- rito’”, dispara, tomando como bordão o títulodo filme de sucesso. O diretor do Ilumina afirma que, sem descartar a possibilidade de se 108 GW 61,36% 68 GW 38,64% Total: 176 GW Fon e: EPE Biom ssa Eólica Hidráulica UHE PCH Solar Térmica* 13.781 7,7% 13.353 8,3% 17.281 9,7% 14.305 8,9% 107.601 60,4% 102.847 63,7% 6.984 3,9% 6.338 3,9% 1.780 1,1% 3.626 2,0% 22.875 14,2% 28.768 16,2% Hidrelétricas perdem participação relativa em 5 anos Matriz de energia elétrica brasileira em 2018 e 2023 (emMW) (*) Incl i termonuclear Fonte: ONS – Plano de Operação Energética (PEN) 2019-2023 Operação e construção(1) Pot. hidrel. inventariado(2) Visualizar por: Total (1) Considera apenas 50% da potência de Itaipu (usina binacional). (2) Do total de 52 GW de potencial das UHEs, cerca de 12 GW não apresentam interferência em áreas protegidas (Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Territórios Quilombolas). 2018 2023 Pouco mais de 38% do potencial inventariado (total) no Brasil não foi desenvolvido Potencial hidrelétrico brasileiro 108 GW 61,36% 68 GW 38,64% Total: 176 GW Bio assa Eólica Hidráulica UHE PCH Solar 13.781 7,7% 13.353 8,3% 17.281 9,7% 14.305 8,9% 107.601 60,4% 102.847 63,7% 6.984 3,9% 6.338 3,9% 1.780 1,1% 3.626 2,0% Hidrelétricas perdem participação relativa em 5 anos Matriz de energia elétrica brasileira em 2018 e 2023 (emMW) Fonte: ONS – Plano de Operação Energ Operação e construção(1) Pot. hidrel. inventariado(2) Visualizar por: T tal (1) Considera apenas 50% da potência de Itaipu (usina binacional). (2) Do total de 52 GW de potencial das UHEs, cerca de 12 GW não apresentam interferência em áreas protegidas (Unidades d Indígenas e Territórios Quilombolas). 2018 2023 Pouco mais de 38% do potencial invent no Brasil não foi desenvolvido Potencial hidrelétrico brasileiro Potencial hidrelétrico brasileiro Pouco mais de 38% do p tencial nventariado (total) no Brasil não foi desenvolvido (1) Considera apenas 50% da potência de Itaipu (usina binacional). (2) Do total de 52 GW de potencial das UHEs, cerca de 12 GW não apresentam interferênc a em áreas protegidas (Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Territórios Quilombolas).
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