Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019

ENTREVISTA Lucas Tristão 20 Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 ram com ociosidade de 50% e acreditamos que, atrain- do mais indústrias, não precisaremos exportar o gás, mas gerar riqueza aqui dentro. É claro que as UPGNs são um investimento relevante, e também estamos prestando atenção nelas, mas a nossa intenção é justa- mente consumir no mercado doméstico pela reindus- trialização do estado. O STF julgará a questão da distribuição dos royalties no dia 20 de novembro. Qual seria o impacto no caso de uma decisão negativa para o Rio? Temos a expectativa de que vamos ganhar. Os royal- ties são uma indenização pelos danos ambientais que acometem o local da exploração e produção do petró- leo. Em caso negativo, o estado que mais se beneficiaria seria o Paraná, com apenas 0,4% de incremento em sua receita, pois os R$ 16 bilhões que ganhamos seriam di- vididos igualmente entre mais de 5.600 municípios e 25 estados. Isso não resolveria o problema dos outros es- tados e colapsaria o Rio de Janeiro, que perderia R$ 30 bilhões entre 2020 e 2023. Os trabalhos de descomissionamento e manutenção se- rão suficientes para revitalizar a indústria naval do Rio? Pretendemos revitalizar pelo menos oito estaleiros. Mas precisamos entender por que construir uma pla- taforma na China custa quatro vezes menos que aqui. Lá é trabalho escravo, e por que ninguém embarga? Essa é a discussão a ser feita. O mercado mundial es- tá atento à pirataria. As atividades de descomissiona- mento feitas por piratas africanos e asiáticos é uma tensão do mercado a ser combatida. Hoje não existe uma economia nacional, não existe uma economia es- tadual. A indústria de óleo e gás é global, por isso pre- cisamos estar muito mais atentos às reformas interna- cionais que as nacionais, como a da previdência, tri- butária e trabalhista. Essa visão se estende ao conteúdo nacional também? Sim. Ao invés de forçar alguém a construir aqui, pre- ciso entregar nova mobilidade. O governador Wilson Witzel já conversou com o presidente da Transpetro, que se comprometeu a fazer a docagem anual de pelo menos cinco navios nos estaleiros do estado Rio de Ja- neiro. Já estamos com um projeto para a Nuclep tam- bém, atraindo a indústria de base naval para cá. Se custa quatro vezes menos construir uma plataforma na Chi- na do que aqui, então vamos focar nos investimentos que fazem sentido aqui, que são manutenção e reparo. O Rio abrigou o maior número de pedidos de projetos pa- ra construção de térmicas a gás no último leilão de energia. Como o estado enxerga a questão da transição energética? Há um planejamento em curso? Foram 13 pedidos de 52. Vamos liderar essa transi- ção não só no Brasil, mas no exterior. Faremos o lança- mento do programa Rio Capital de Energia, lançado no governo anterior, mas que nunca teve andamento, uti- lidade e ação. Concentrando a geração energética aqui, certamente teremos um destaque nacional e promove- remos a reindustrialização a partir disso. Pode-se esperar uma transformação expressiva da ma- triz energética do estado? O Brasil já é referência mundial em geração de ener- gia limpa, então nós não precisamos transformar nos- sa matriz energética, mas incrementá-la e melhorá-la. Não é possível que, há 1.500 anos, Roma já tinha sanea- mento básico, e o cluster automotivo Fluminense ainda precise lidar com picos de energia por falha na presta- ção de serviço da concessionária. A questão da transmissão é um fator de preocupação? A transmissão não é suficiente. Por isso implemen- tamos um acordo de interesses com a Aneel para que a Agenersa [Agencia Reguladora de Energia e Saneamen- to Basico do Estado do Rio de Janeiro] possa fiscalizar as concessionárias. Também pretendemos firmar até o final do ano um contrato de metas entre a Aneel e a Agenersa, prevendo que a agência comece a fiscalizar nossas distribuidoras de energia a partir de 1º de janei- ro de 2020. O estado tem participado das discussões sobre Angra 3? Sim. Mas, de novo, só o que podemos fazer é in- fluenciar políticas públicas do governo federal. Tudo que nós fazemos é apresentar as vantagens e as desvan- tagens da nossa parte no que se refere ao licenciamen- to ambiental, política pública de formação acadêmica e técnica, de infraestrutura etc. Agora, o que o governo federal precisa fazer é rescindir aquele contrato que foi objeto de corrupção, anular o processo, fazer outra lici- tação e deixar uma nova empresa terminar a constru- ção, assim como fizemos com o Maracanã. n

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