Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019
22 Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 ENTREVISTA Que estratégias o governo do estado e a Secreta- ria Desenvolvimento do Espírito Santo estão promo- vendo para atrair novos investidores? A Sedes está atenta aos movimentos da Pe- trobras e traça diferentes métodos para manter a competitivida- de do estado. Podemos destacar nossa articulação para sediar o Reate [Programa de Revitalização da Atividade de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural em Áreas Terrestres] 2020. Além disso, a Sedes apoia novos players do mercado, buscando formas de financiamento de crédito, além de liderar articula- ções entre o setor produtivo, as instituições e o governo. Que potencialidades o Sr. destaca no estado? Comlocalizaçãoestratégia,apartirdacapitalVitóriaépossível al- cançar 70%doPIBbrasileiro,numraiodemil quilômetros.Oestado também apresenta solidez fiscal: foi o único estado a alcançar a nota máxima “A” concedida pelo Tesouro Nacional. O acordo de unifica- çãodos camposdoParquedasBaleias,queprevêorepassedeR$1,57 bilhão aos cofres capixabas, viabilizou a criação do Fundo Estadual para o Financiamento de Obras e Infraestrutura e o Fundo Estadual Soberano,que investirá emempreendimentos estratégicos para oEs- pírito Santo.A criação desses fundos permite que o governo do esta- do entre no capital privado, como acionista minoritário, em empre- endimentos rentáveis e que sejam de interesse para o Espírito Santo. Temos melhorias contratadas em rodovias, ferrovias, portos e aero- portos. Também analisamos a possibilidade de instalação de minir- refinarias no estado, buscando a diversificação e descentralização da cadeia produtiva. São plantas modulares com capacidade de proces- sar até 25 mil barris por dia, incluindo diesel, gasolina e óleo bunker (combustível marítimo), mas que, conforme as perspectivas e o ce- nário econômico, podemser ampliadas emumsegundomomento. De que forma o estado vem se preparando para a transição energética? Divulgaremos uma serie de políticas públicas voltadas à ener- gia limpa. Em relação ao gás, novas resoluções estão em elabora- ção, conforme a nova Lei do Gás. O novo contrato de concessão deverá ser assinadomuito embreve e está em sintonia comas no- vas tendências do segmento. Dentre as políticas públicas que es- tão sendo desenvolvidas está a articulação junto a bancos oficiais do estado para o desenvolvimento de usinas fotovoltaicas (FV), incluindo as despesas com projeto, materiais e instalação, com ta- xas de juros diferenciadas para cada potência de usina FV. Anali- samos ainda a implementação do uso de energia fotovoltaica nos órgãos do Executivo. Também estão em análise o uso de carros a gás na frota de carros do governo e incentivos às novas instalações de GNV nos postos de combustíveis, principalmente no interior. Como se distribui hoje a matriz energética do estado? OEspírito Santo é umdos estados commais consumidores in- tensivos de energia do país. OConsumo Final Per Capita (tep/hab) de energia é de 1,83 tep/hab, sendo 43% superior ao do Brasil. Diante dos desinvestimentos da Petrobras, que estratégias o governo do estado está promovendo para atrair novos investidores? Entendemos que os poços maduros aqui na Bahia não correspondem hoje a 40 mil barris/dia a 50 mil barris/ dia de petróleo, que toda a produção da Bahia equivale a um poço do pré-sal, mas esses poços têm ainda uma viabilidade econômica. Cominvestimentos de empresários commenor custo de extração, a produção pode crescer emmais 20 mil barris/dia, indo para 60 mil barris/dia de óleo, gerando emprego e renda. Pode não ter umvolu- me significativo,mas é importante, e a nossa política é de incentivar, como temos incentivado, através da Bahiagás, que está comprando gás diretamente de produtores aqui do estado da Bahia. Que potencialidades o Sr. destaca no estado? A Bahia ainda é uma excelente plataforma de produção de óleo em terra e, principalmente, gás. Temos área maríti- ma também contígua ao bloco de Sergipe, onde foi descoberta possibilidade de haver gás. Temos um terminal de regaseifica- ção, uma grande refinaria, o polo petroquímico, e trabalhamos para que a Fafen Bahia tenha um arrendatário da Petrobras pa- ra, talvez, voltar a produzir. Temos discutido com os compra- dores do Gasene [ N.R.: a Engie, na TAG ], demonstrando a pos- sibilidade do mercado nordestino. De que forma o estado vem se preparando para a transição energética? A Bahia já é líder na produção de energia eólica e tem uma posição de destaque também na energia solar. O governo do estado fez anos atrás toda pesquisa do potencial com mapa de geração de energia eólica, demonstrando que a Bahia tem uma capacidade de produção de energia 1,5 vez superior a to- da energia gerada hoje no Brasil. Mesma coisa fizemos com a solar, que indica quase o que o Brasil produz hoje de energia como capacidade de geração na tecnologia atual. Incentiva- mos a cadeia produtiva dessa indústria com foco nos fabrican- tes de equipamentos. Além disso, temos uma grande produção de biomassa de energia e vamos começar a pesquisar os poten- ciais de biomassa para incentivar a geração de gás. Qual a importância que a RLAM tem para o estado e que incen- tivos o governo pode oferecer para que o futuro investidor venha a ampliar o ativo existente? Estamos abertos para qualquer discussão com o novo pro- prietário para ampliação da refinaria e a da infraestrutura de transporte. Temos interesse em ter outro terminal de regaseifi- cação, e trabalhamos com alguns grupos que querem investir na Bahia. Estamos investindo na interiorização dos gasodutos e construindo um novo gasoduto, que é o primeiro no sentido Oeste do estado, com quase 500 km, levando gás para as zonas produtoras de mineração e refratários. MARCUS CAVALCANTI , Secretário de Infraestrutura da Bahia MARCOS KNEIP , Secretário de Desenvolvimento do Espírito Santo
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=