Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019
42 Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 GÁS NATURAL O mercado de fertilizantes no Brasil tem um grande po- tencial inexplorado. Em 2018, segundo dados da Confederação Nacional de Agricul- tura, o país consumiu 40 milhões de toneladas do produto. O volume é considerado baixo para o tama- nho da fronteira agrícola brasileira. Além disso, cerca de 85% desse to- tal foram importados. Mas se o Brasil tem a matéria- -prima para fabricar os fertilizantes, e tem um grande mercado potencial para esse tipo de produto, por que a indústria de fertilizantes do país não decola? A resposta está no gás na- tural. O insumo representa 80% do custo de produção dos fertilizantes à base de amônia. O alto preço do gás natural industrial brasileiro inviabi- liza o desenvolvimento dessa ativi- dade em larga escala no país. “Historicamente, o Brasil sem- pre foi importador”, lembra o con- sultor de tecnologia da CNA, Regi- naldo Minaré. Ele lembra que a Pe- trobras chegou a anunciar projetos de produção de fertilizantes à base de nitrogênio nos últimos anos, que acabaram abandonados. “O custo da Petrobras sempre foi uma incóg- nita, mas o fato é que o preço do gás tornava essas plantas inviáveis”, diz. Um desses projetos era a usina UFN3, em Três Lagoas (MS), ven- dida em agosto para a russa Acron, que planeja colocar a fábrica em funcionamento. “Minha dúvida é: se o projeto não era viável para a Petrobras, por que seria viável ago- ra?”, questiona Minaré. O FATOR GÁS NO MERCADO DE FERTILIZANTES Preço do insumo é decisivo para desenvolver a indústria que, no sentido inverso, pode representar demanda importante para destravar três novos trechos de gasodutos CARLOS VASCONCELLOS Combustível representa 80% do custo de produção de fertilizante à base de amônia
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