Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019
46 Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 EÓLICA tos imprevistos/adicionais como também perda de disponibilidade e geração”. Silva lembra que os parques eó- licos no Brasil são relativamente novos, ainda não chegaram, em sua grande maioria, na metade da vida útil de seus aerogeradores. De acordo com dados da Aneel, em 2020 serão 906 MW com mais de dez anos em operação - tempo médio de duração dos contratos de manutenção normalmente assina- dos pelos geradores com os fabri- cantes de turbinas. Até 2024, esse potencial mercado para novos con- tratos de manutenção salta para 4.959 MW - só em 2014, entraram 2.785 MW. “A medida que os anos passam, os aerogeradores terão que sofrer ações corretivas mais frequentes”, observa. “É neste momento que perceberemos com mais ênfase o resultado de uma boa manutenção. Aqueles empreendimentos que ti- veram programas de manutenção deficientes terão custos maiores e paradas mais frequentes”. ITENS CRÍTICOS O consultor da UL, Alexandre Pereira, lembra que, no Brasil, os ventos fortes e constantes aceleram o desgaste dos equipamentos. “Se- ria o equivalente a um carro que circula sem parar porque o com- bustível é inesgotável e fatura-se por km rodado”, compara. Segundo Pereira, as condi- ções meteorológicas de tempera- tura, umidade, areia e salinidade de alguns locais do Brasil são mui- to agressivas e desfavoráveis para equipamentos elétricos/eletrôni- cos, sensores, graxas e óleos lubri- ficantes usados em turbinas eóli- cas. “Por isso é fundamental que o plano de manutenção dos equipa- mentos seja adequado às condições operacionais de cada local”, reforça. Essas peculiaridades tornam necessária a tropicalização dos equipamentos para atender me- lhor o ambiente brasileiro, já que os equipamentos disponíveis hoje no mercado foram projetados pa- ra os ventos da Europa, com uma previsão de vida útil de 20 anos, devido ao fator de capacidade de 20% a 25%. Mas os ventos do Bra- sil são fortes e constantes, com fa- tor de capacidade entre 40% a 45%. Logo, os equipamentos se desgastam mais. Entre os itens críticos para a manutenção dos parques, o equi- pamento de maior atenção e des- gaste em um aerogerador é a caixa de engrenagem instalada dentro da casa de máquinas, no topo do aero- gerador, entre o gerador elétrico e o rotor das pás. Apesar dos progressos que fo- ram feitos na confiabilidade da caixa de engrenagens, esse ainda seria o elo fraco da cadeia, espe- cialmente pelo custo e tempo de reparo. Além da caixa de engre- nagem, outros itens considerados críticos são a caixa multiplicadora e pás, apontam especialistas ouvi- dos pela Brasil Energia . VENTOS DA MUDANÇA Se no início do mercado a ma- nutenção de aerogeradores foca- va em prevenção e correção, atu- almente fala-se em manutenção preditiva para os componentes mais críticos. “No entanto, é fato que o se- tor de manutenção passará por grandes mudanças e salto tecno- lógico nos próximos anos”, afir- ma Silva, da WEG. Segundo ele, com a indústria 4.0, os aerogera- dores serão cada vez mais equi- pados com sensores que permi- Caixa de engrenagem, um dos itens mais sensíveis para O&M eólica
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