Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019

Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 49 diretor técnico da Abeeólica, San- dro Yamamoto. Ele pondera que o Brasil é dife- rente de outros países, com grandes grupos que tem capacidade para assumir o serviço, mas também vá- rias empresas menores, com menos interesse em bancar a atividade. Yamamoto observa que, de olho nas oportunidades de ne- gócios nesse segmento, empresas com atuação internacional aterris- saram no Brasil. Mas existem, no país, casos de grandes especialis- tas de parques que saíram de em- presas multinacionais e montaram seus próprios negócios, principal- mente no segmento de manuten- ção de aerogeradores. Colaborou para isso, segundo Yamamoto, o encerramento das atividades, no Brasil, da indiana Suzlon e da argentina Impsa, duas pioneiras na fabricação de aeroge- radores no país. “Com isso, os pro- prietários dos parques que eram atendidos pela Suzlon e pela Impsa foram obrigados a contratar outras empresas para fazer a manutenção dos equipamentos. Essas empre- sas, por sua vez, acabaram se qua- lificando para prestarem serviços para outros parques”, avalia. A Su- zlon, inclusive, forneceu 378 MW para parques operacionais da CPFL no Ceará. “Lá atrás, os fabricantes colo- cavam as atividades de operação e manutenção em seus contratos muito porque, na época, não havia mão de obra qualificada, nem mes- mo para construção, imagina para fazer a manutenção das máquinas”, recorda Darlan Santos, diretor- -presidente do Centro de Estraté- gias em Recursos Naturais e Ener- gia (Cerne). “O custo homem-ho- ra das fabricantes é muito alto. Os proprietários dos parques estão co- meçando a enxergar isso e a contra- tar empresas locais”, conta. Para especialistas, apesar da pri- marização ser uma clara tendência, nem todos os proprietários devem aderir. Empresas estatais tendem a manter contratos de longo prazo, enquanto as privadas teriam mais apetite por reduzir custos e contra- tar empresas locais. Sendo que a primarização aconteceria principalmente entre os grupos mais maduros e conso- lidados. “É algo que vai acontecer nos contratos mais novos, na medida que os componentes forem sain- do da garantia. Daí o investidor vai avaliar se mantém o contrato com a fabricante ou primariza”, afirma Yamamoto, da Abeeólica. O diretor avalia que as fabrican- tes, grandes empresas de atuação internacional e experiência de mui- tos anos, já têm no radar essa evo- lução do mercado e a possibilidade dessa mudança de contratos. HISTÓRICO E TRANSPARÊNCIA Ponto pacífico entre os especia- listas ouvidos pela Brasil Energia : o custo associado a uma falha ca- tastrófica é como a quebra de uma pá - item que representa aproxima- damente 20% do custo total de um aerogerador. Para além da rotina de manutenção, isso poderia ser evita- do com o levantamento do históri- co de falhas dos equipamentos. “Até hoje não temos a real no- ção do impacto dos ambientes nas máquinas. Podemos ter esse tipo de informação mais para a frente. Ain- da vamos construir esse histórico”, afirma Santos, do Cerne. “O ideal seria aguardar o segundo ciclo dos projetos. Só quando fechar um ci- clo podemos fechar números”. Segundo Santos, esse tipo de relatório, comum na Europa, virá com o amadurecimento da indús- tria como já existe em outros seg- mentos, como o setor de petróleo que costuma divulgar, inclusive, es- sa informação. Esse acervo histórico pode ser prejudicado pela substituição das máquinas, devido ao rápido avan- ço tecnológico, ou pelo chama- do re power. “A repotenciação das máquinas pode dificultar a elabo- ração de estudos sobre a manu- tenção, criar memória da vida dos equipamentos”. n Existe uma silenciosa mudança em curso: a primarização da manutenção pelos próprios empreendedores.

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