Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019
Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 51 O Brasil já conta com 2,2 GW de geração centralizada so- lar em operação atualmen- te. Mas esse é apenas o iní- cio de uma história de sucesso. Es- se montante representa mais de R$ 10 bilhões investidos desde 2014, que viabilizaram a geração de mais de 20 mil empregos, estima a Ab- solar. Até 2022, esse volume quase triplicará com a entrada em opera- ção de 115 usinas solares de grande porte que somam 4 GW, segundo dados fiscalizados pela Aneel. Des- se total, a maioria, 60 usinas (2,5 GW), está fora do mercado regu- lado, enquanto 55 usinas (1,5 GW) foram comercializadas no merca- do regulado, de acordo ainda com os dados mais recentes da agência. (Veja detalhamento na tabela). Os 2,5 GW em implantação fo- ra do mercado regulado, não ne- gociados em leilão, podem ter si- do contratados exclusivamente no mercado livre ou ser destinados à autoprodução ou ainda podem vir a entrar em leilão, em estágio mais avançado de desenvolvimen- to. Atualmente, o mercado livre vi- ve uma boa fase para viabilizar no- vos projetos, e muitos empreende- dores estão dividindo seus projetos entre os ambientes de contratação. O MWh solar no mercado livre vem sendo negociado na faixa de R$ 140, de acordo com a diretora da consultoria Clean Energy Latin America (CELA), Camila Ramos. Por outro lado, a fonte foi vendida por R$ 67/MWh no leilão A-4 reali- zado neste ano, em que foram con- tratados 203,7 MW de solar. No leilão, foram vendidos ape- nas 30% da garantia física dos em- preendimentos solares. Segun- do Camila, isso ocorreu porque as companhias estão contando vender o restante no mercado livre a pre- ços mais altos. Em comparação, no A-4 de 2018, foi vendida 95% da garantia física dos empreendimen- tos, a preço de R$ 118/MWh. Apesar do crescimento que o mercado livre vem apresentando, o vice-presidente de geração centra- lizada da Absolar, Ricardo Barros, aposta que no curto prazo o maior volume de contratação de geração solar centralizada virá dos leilões. A expectativa da associação é que, por ano, sejam contratados 2 GW de so- lar em certames. Tal expectativa se baseia nas projeções da EPE e no fa- to de a fonte ter diminuído seu cus- to. Já o mercado livre, na visão de Barros, deve se aproximar do volu- me de contratação dos leilões ou até superar, no médio e longo prazo. A Absolar defende um plano de investimentos de R$ 100 bilhões até 2030 para que o país salte dos atu- ais 2,2 GW de geração centralizada solar em operação para 30 GW. Ca- so isso ocorra, 1 milhão de empre- gos poderiam ser gerados, segundo ainda Barros. A EPE, no Plano Decenal de Ex- pansão da Energia 2027, o mais re- cente disponível, indica a necessida- de de contratar mais 5 GW de capa- cidade solar para entrar em opera- ção entre 2023 e 2027, um ritmo de 1 GW por ano. A empresa sinaliza que esse ritmo pode acelerar caso a fonte se torne mais competitiva. GERADORAS Algumas empresas têm adotado a estratégia de investir em projetos solares tanto no mercado regulado quanto no livre. É o caso da Newen, antiga Steelcons Energy, que tem em seu portfólio três projetos ven- cedores de leilões. São eles: Sertão Solar (117 MW), Sol do Futuro (81 Usinas fotovoltaicas em implantação no Brasil, fora do mercado regulado Responsável Empreendimentos UF Potência outorgada (MW) Energia Capital Terra do Sol VII, XI e Sol do Sertão VIII, XII, XIII, XIV, XXXV e XXXVI BA 387,0 Enel Green Power São Gonçalo 6, 7, 8, 11, 12 PI 183,6 Solatio Pedranópolis 1, 2, 3 SP 90,0 EDP Renováveis Pereira Barreto I, II, III, IV, V SP 204,7 Solatio Belmonte 1-1, 1-2, 1-3, 1-4 PE 152,3 Solatio Cassilandia 1 ao 6 MS 250,6 Aurora Energia AC VII, VIII, IX, X MG 160,0 Powertis Leo Silveira 1 ao 10 MG 495,0 Sunco Energy Mauriti 1 a0 9 CE 343,7 Sobral I SPE Sobral I CE 90,0 Emtep EMTEP 3 BA 85,0 Enerside Energy e FG Soluções Ribeiro Gonçalves I, II, III, IV PI 110,5 Total 2.552,4 Fonte: Aneel e Receita Federal
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