Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019
Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 55 A atenção do mercado de FPSOs está cada vez mais voltada ao Brasil. Não bastasse o cenário de crescimento de novas encomendas por parte de petroleiras como a Pe- trobras, Shell, Equinor e Enauta, uma operação pouco usual come- ça a tomar forma no setor: a ven- da da participação da Constellation em nada menos que cinco grandes plataformas sob contrato com a Pe- trobras e operadas pela SBM. O negócio envolve os FPSOs Capixaba, instalado no Parque das Baleias, Cidade de Ilhabela, em Sa- pinhoá, e Cidade de Saquarema, Cidade de Paraty e Cidade de Mari- cá, que estão em operação no com- plexo de Lula. As participações co- locadas na mesa de negociação va- riam de 5% a 20%. A operação de venda integra a lista de obrigações do grupo rela- cionadas em seu plano de recupe- ração judicial (RJ), aprovado no fi- nal de junho e homologado no iní- cio de julho, na 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Com uma dívi- da de US$ 1,8 bilhão, a Constella- tion deu entrada no pedido da RJ em dezembro de 2018. Entre os que conhecem esse segmento de negócio, há quem diga que essa é uma transação que pode render de 100 a 300 milhões de dólares, a depender do apetite e estratégia do com- prador. A avaliação é que o negó- cio é rentável, ainda que as par- ticipações disponibilizadas para a venda não sejam significativas. As unidades de produção têm contratos de longo prazo com a Petrobras, alguns com taxas diá- rias que chegam a superar a mar- ca de US$ 500 mil/dia. Os FPSOs Cidade de Ilhabela, Cidade de Saquarema, Cidade de Paraty e Cidade de Maricá sequer al- cançaram a metade do tempo con- tratual. As unidades foram afretadas pelo prazo de 20 anos, o que assegu- ra contratos até 2036. Instalados no cluster de Santos, os quatro FPSOs têm grande chan- ce de ter os contratos prorrogados, já que a produtividade dos campos de pré-sal vem superando as proje- ções iniciais e muitos dos FPSOs da região alcançam a capacidade má- xima da planta com poucos poços. No atual cenário, as plataformas do pré-sal são vistas com prioridade pela Petrobras. Já o FPSO Capixaba, original- mente afretado para operar no campo de Golfinho, na Bacia do Espírito Santo, foi remanejado para Cachalote em 2010, tendo seu con- trato renovado por mais 12 anos. Para se ter uma ideia da im- portância dos ativos em negocia- ção, os FPSOs Maricá, Saquare- ma e Ilhabela ocuparam o primei- ro, segundo e terceiro lugares do ranking nacional de produção por plataforma em junho, respectiva- mente. Juntos, produziram 430,3 mil bopd e 17,2 milhões de m³/d de gás, quase 1/3 de todo o volu- me produzido na Bacia de Santos naquele mês. O Cidade de Paraty ocupou a 12ª posição, com a mar- ca de 68 mil bopd e 2,6 milhões de m³/d de gás, enquanto o Capixaba figurou no 28º lugar na lista das 30 unidades com maior produção. Juntas, as cinco plataformas en- volvidas na operação somam ca- pacidade de produção de 670 mil bopd e 26,5 milhões de m³/ de gás. Os FPSOs Cidade de Ilhabela, Ci- dade de Saquarema e Cidade de Maricá possuem as maiores plan- tas, cada uma de 150 mil bopd e 6 milhões de m³/d de gás. QUEM LEVA Além da SBM – que anunciou que entrará na disputa pelas parti- cipações da Constellation –, a ven- da deve atrair o interesse de inves- tidores internacionais e alguns dos demais parceiros das unidades en- volvidas no negócio. Operador dos cinco FPSOs, o grupo holandês de- tém as maiores fatias dos ativos, com participações que variam de 50,5% a 80%. As unidades de Santos contam com outros sócios, como Nippon Yusen Kabushiki Kaisha, Itochu Corporation e Mitsubishi Corpo- ration, que detêm fatias entre 12% e 25%. O FPSO Capixaba é o único com participação exclusiva da SBM e da Constellation. A holandesa tem a prerrogati- va de aprovar ou vetar o nome do possível comprador, caso não tenha interesse em aumentar sua parcela no negócio – cenário que é consi- derado provável. Diante das licita- ções por serem lançadas, a tendên- cia é que a SBM opte por direcio- nar recursos a novos contratos, a não ser para evitar um novo sócio indesejável. Por força do contrato, qualquer venda de participação nas unidades terá de ser submetida à aprovação da Petrobras. Depois de seis anos sem fechar contratos no Brasil – intervalo quebrado apenas em junho, com o acerto do afretamento do FP- SO de Mero 2, que está em fase de conversão –, a SBM precisa correr contra o tempo para ampliar sua carteira de ativos no Brasil. A em- presa detém, hoje, sete contratos
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=