Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019

74 Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 SMART GRID Telemedidor limitado Peça fundamental para tornar realidade os avanços em smart grid, segundo define o diretor da Aneel Sandoval Feitosa, o medidor eletrô- nico ainda é um produto que não está com uma pronta disponibili- dade como se previa originalmente. Sem esse recurso básico, que é a porta de entrada do consumidor para um universo de serviços e fun- cionalidades, não dá para considerar que as redes inteligentes possam deslanchar em sua plenitude. Segundo fontes, a tarifa branca acabou não tendo uma adesão mais significativa porque não contou com divulgação adequada por parte das distribuidoras que, além do mais, estavam com dificuldade de ad- quirir os dispositivos no mercado. Além disso, houve receio de fazer um compra em massa, sem saber, com mais precisão, da disposição dos clientes para optar pela modalidade e permanecer nela, já que há cláusula de saída após período de experimentação. Mas, ao que tudo indica, essa “barreira” temporária está prestes a ser resolvida. Havia algumas questões pendentes junto ao Inmetro, entida- de federal responsável pela homologação dos equipamentos, e que já es- tão sendo solucionadas. Entre elas, existia um gargalo para a realização de ensaios com os modelos de medidor encaminhados pelos fabrican- tes. Agora o Inmetro está terceirizando essa atividade, mediante rígida fiscalização e concentrando foco na tarefa de certificação. “Foi uma jornada de quatro anos, mas estamos conseguindo a li- beração dos nossos modelos”, informa Sergio Jacobsen, da Siemens. Na opinião do consultor Cyro Bocuzzi, aliás, a Aneel poderia ser mais ousada e promover uma experiência efetiva quanto a questão de medi- ção. Ele é favorável que a agência patrocine a instalação demedidores com múltiplas funcionalidade para ver quais, de fato, acabem consagradas pe- lo próprio interesse dos clientes das concessionárias.Os resultados permi- tiriam, acredita, desenvolver um programa de trocas mais assertivo. Instalação de telemedição, tecnologia ainda escassa no mercado cado não só por sua experiência na integração de sistemas – fa- zendo “conversar” equipamen- tos de fabricantes diferentes -, mas também é especializada em telecomunicação aplicada a redes elétricas e, mais recente- mente, em desenvolvimento de software para análise de dados. Já o head de utilities da espa- nhola Indra, Rubens Del Monte, menciona o fato de as distribui- doras estarem avançando do grau de implantação de projetos pilo- to para realizarem investimentos mais ambiciosos e amplos. Essa nova fase traz boas perspectivas, reforçando a posição da compa- nhia no Brasil, que já é o mercado mais importante para a matriz fora da Espanha. Segundo o exe- cutivo, a demanda por soluções de automação e telecontrole do- minam os negócios no momento. “Um dos principais focos das distribuidoras atualmen- te está no chamado Advanced Distribution Management Sys- tem (ADMS), software que pro- porciona uma integração de to- do o complexo de operação, in- cluindo self healing, controle de fluxo de potência, tensão, fre- quência, desligamento e religa- mento automático, sistema de descarte de carga, entre outras funções”, destaca o vice presi- dente de Marketing e Vendas de Power Grids da ABB, Glau- co Freitas. A falta de planejamento es- tratégico e financeiro do merca- do, bem como a legislação regu- latória são pontos que podem ser aperfeiçoados para aumentar a velocidade dos negócios, entende também. n

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