Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019

Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 77 O Brasil poderá passar da condição de importador para exportador de gás na- tural na próxima década. Segundo especialistas, a tendência é que, com o esperado ganho de es- cala na produção, os custos se redu- zam e o produto se torne competi- tivo no exterior. Segundo a Empresa de Pesqui- sa Energética (EPE), a produção lí- quida de gás no país deve crescer mais de 7% ao ano (a.a.) até 2030, saindo de 59 milhões de m³/d para 147 milhões de m³/d. Pelo menos até 2027, a indicação é que a de- manda crescerá somente 3,4% a.a.. A principal mola propulsora do aumento da extração serão os cam- pos das bacias de Campos e Santos, mas ativos de Sergipe-Alagoas e, em terra, do Recôncavo e Solimões, também contribuirão. Na avaliação de Rivaldo Morei- ra Neto, diretor-executivo da Gas Energy, a exportação deve fazer parte da estratégia das petroleiras para monetizar a produção de gás nos próximos anos, especialmente no pré-sal. “Quando se considera um mer- cado doméstico ainda em desenvol- vimento, sem estrutura de armaze- nagem e uma produção de gás as- sociado em que o mais importante é garantir o fluxo de produção do óleo, a exportação pode ser uma sa- ída natural e bastante razoável para as empresas, até mesmo para a Pe- trobras”, assinala. Com o tempo, as vendas exter- nas poderiam se converter em um mercado alternativo atraente, es- pecialmente diante do crescimen- to do mercado global de GNL, o desenvolvimento de um mercado spot dinâmico e a ampliação do número de aplicações do produto. POTENCIAL NA ÁSIA O consultor afirma que o cami- nho do gás brasileiro para alcançar o mercado internacional não pas- sa, ao menos inicialmente, por pa- íses vizinhos. “A produção na Argentina tende a crescer muito com geração de ex- cedentes no verão, que podem ser exportados por gasoduto de forma competitiva para o Chile, que seria um bom mercado na América Lati- na”, explica Rivaldo. “Os mercados asiáticos são os que mais crescem, e o Brasil poderia se incorporar aos fornecedores de GNL a essa região”. O superintendente de Petróleo e Gás Natural da EPE, Marcos Fre- derico de Souza, acredita que a ex- portação fará parte da equação dos produtores brasileiros de gás e que as empresas devem se preparar pa- ra essa realidade. “Supondo que haja superávit na produção em relação à demanda, te- remos que deslocar o gás, e as empre- sas têm de ter estrutura para expor- tar quando isso for necessário”, alerta. DIFERENTES MODELOS Souza também aponta o GNL co- mo a melhor opção para escoar o gás brasileiro ao mercado externo, mas a opção de exportar o produto ou le- vá-lo até a costa dependerá muito do modelo de negócios de cada empresa. “A Equinor, por exemplo, sina- liza com a possibilidade de usar o gás de seus campos para produzir GLP para exportação, mas isso não é necessariamente um movimento generalizado”, pondera. Para o superintendente, os mo- vimentos em direção ao mercado externo deverão ser pontuais. “Não acredito que o Brasil tenha voca- ção para se tornar um exportador de gás natural em larga escala. No entanto, não se pode negar que, em grandes ou pequenas quantidades, o futuro do gás brasileiro também passará pelo exterior”, conclui. n Os mercados asiáticos são os que mais crescem e o Brasil poderia fornecer GNL a essa região

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