Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019
90 Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 Wagner Granja Victer Wagner Granja Victer é engenheiro (UFRJ) da Petrobras, bacharel em Administração (UERJ), pós graduado em Finanças (FGV) e Especialização em Gerência de Projetos pela Harvard University. CERTIFICAÇÃO: UM DIFERENCIAL NA CARREIRA Um dos pontos sobre os quais tenho sido questio- nado em palestras para jovens profissionais e executivos iniciantes diz respeito a como uma carreira deve ser pla- nejada, tendo em vista o fortalecimento profissional. Diversas ações contribuem para esse processo, que não pode ser assumido como apenas seguir uma sim- ples “receita de bolo”. Alguns optam, após a graduação, por capacitações suplementares do tipo lato sensu, co- mo as tradicionais MBA’s, ou, para aqueles com perfil mais acadêmico e científico, uma formação stricto sen- su (mestrado e doutorado). Uma das ações formativas é a obtenção de certifica- ção. Nas áreas financeira, de previdência complemen- tar e de infraestrutura existem processos de certificação por instituições públicas, organizações e entidades pri- vadas do Brasil – algumas delas estrangeiras. Na prática, a certificação se faz via declaração for- mal de comprovação do conhecimento ou domínio, emitida por entidade, instituição ou empresa que te- nha fé pública ou credibilidade para tal, a partir de pa- râmetros estabelecidos como provas de conhecimento, títulos e horas aplicadas. Na indústria brasileira de óleo e gás, os processos de certificação derivam do Sistema de Garantia de Qua- lidade da indústria nuclear, estabelecida na década de 1970. As tradicionais certificações de mão de obra vie- ram da área de qualidade da Petrobras, como o SEQUI, que instituiu um sistema de qualificação para inspeto- res de atividades de construção e montagem. O certi- ficado se tornou referência no mercado nacional e um diferencial exigido na implementação de dutos, termi- nais, refinarias e até nas pioneiras plataformas fixas. Na área de qualidade, os engenheiros buscavam se qualificar por qualificações como a ASQ (American a Society for Quality), a antiga ASQC (American So- ciety of Quality Control), que, com seus altos padrões de exigências, foi um grande diferencial na carreira de muitos gestores. A qualificação PMP (Project Manager Professional) – uma das mais populares do PMI (Project Manager Institute) – se tornou, nos últimos 20 anos, uma refe- rência para orientar a formação de profissionais que atuam no gerenciamento de projetos no Brasil, inclusi- ve fomentando a criação de diversos cursos de pós-gra- duação alinhados à sua metodologia, o PMBOK (Pro- ject Management Body of Knowledge). No campo da administração pública e privada, com foco em governança, o rigoroso sistema Certifi- cação de Conselheiros instituído pelo IBGC (Institu- to Brasileiro de Governança Corporativa) já se torna uma referência para escolha e alocação de conselhei- ros – em especial os independentes –, sendo reconhe- cido por head hunters . Nesse contexto, o reconhecimento de experiências e qualificações por certificações também se tornou exigência para ocupação de cargos de gestão na ad- ministração pública, conforme a nova Lei das Estatais (13.303 de 2016). Portanto, a busca de certificações profissionais, através de entidades sediadas no Brasil e no exterior tem sido – e continuará sendo – um fator impor- tante no desenvolvimento profissional e um impor- tante diferencial de carreira, em especial na indús- tria de infraestrutura.
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