Brasil Energia | Ed. 460 - Novembro, 2019
ISSN0101-7837 Diretor Presidente Celso Knoedt Diretores Patrícia Quintão Rosely Máximo Editor Executivo Lívia Neves Redatores Antonio Carlos Sil Bruno Postiga Carlos Vasconcellos Cassiano Viana Chico Santos Cláudia Siqueira Gabriela Medeiros Gabriel Ramalho João Montenegro Lívia Neves Marcelo Furtado Ana Luisa Egues (est.) Rafael Luis Fernandes (est.) Thais Custodio (est.) Tratamento de Dados Mauricio Fagundes Rick Marzioni (est.) Programação Visual Ana Beatriz Leta Impressão Aerographic ASSINATURAS Gerente de Assinaturas Alessandra Alves assinaturas@brasilenergia.com.br Tel: (21) 3503-0306 Digital Diário + Impresso AssinaturaAnual: R$ 890 / US$ 645 Assinatura Mensal: R$ 80 Atendimento ao assinante tel.: (21) 3503-0302 PUBLICIDADE Paula Amorim publicidade@brasilenergia.com.br Rio de Janeiro Bianca Bandeira - (21) 3503-0309 Elia Carvalho - (21) 97918-3539 Lúcia Ribeiro - (21) 97015-4654 São Paulo Fernando Polastro - tel/fax: (11) 5081-6681 EDITORA BRASIL ENERGIA LTDA Av.Almirante Barroso, 63, Gr 2007 20.031-003 - Rio de Janeiro Tel (21) 3503-0303 Brasil Energia , nº 460, 14 de novembro de 2019 3 Quem é o mercado e o que ele diz? É comum olharmos os mercados segmentando-os como setores estan- ques, imunes a fatores aparentemente exógenos: o mercado de FPSOs, o mercado eólico, o mercado de gás… Mas não se deve desprezar o merca- do formado pelos consumidores. Pessoas comuns, como eu ou você, cujos comportamentos e opiniões, mesmo com algum atraso, influenciam as ló- gicas do “mercado” financeiro. A opinião pública ganha relevância, por exemplo, quando a narrativa sobre a crise climática tem novos capítulos protagonizados por jovens em greves estudantis. A Mobilização Global pelo Clima levou às ruas algo como 6 milhões de pessoas ao redor do mundo, segundo sua organização, que pediam pelo combate à crise climática. As manifestações ocorreram em paralelo à Cú- pula do Clima da ONU, em setembro, que reuniu líderes mundiais em No- va York, onde a jovem ativista ambiental Greta Thunberg fez um discurso enfático, de repercussão global, exigindo ação dos governos. Pode até ser que o resultado prático dessas mobilizações demore. Mas a verdade é que investidores têm aumentado consideravelmente o volume de recursos para ativos “sustentáveis”. O mercado de dívida para esses projetos cresceu de US$ 5 bilhões em 2012 para US$ 247 bilhões em 2018, segun- do levantamento recente da KPMG. Grandes consumidores globais tam- bém tem intensificado sua compra privada de energia renovável, com no- vos projetos contratados chegando a 13,6 GW só em 2018 e a 8,6 GW em 2019, só até julho, de acordo com a BNEF. Recentemente, a gigante italiana Enel realizou duas emissões de títulos dire- tamente ligados ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 7 da ONU, que mira energia limpa e acessível. O grupo levantou US$ 1,5 bilhão no merca- do norte-americano na primeira operação e US$ 2,5 bilhões no mercado euro- peu na segunda. Esses investimentos eleverão para 33% a parcela da eletricidade no atendimento ao consumo de global de energia até 2040, de 20% atualmente. A política global se apropria desses movimentos. A China tem liderado, em volume de projetos, o crescimento das fontes renováveis. Entretanto, é o poder adquirido através do desenvolvimento tecnológico, mais do que a transição global para uma economia de baixo carbono, que parece ser o principal motivador dos investimentos do gigante asiático, que não se furta a, por exemplo, incentivar a expansão do parque gerador a carvão no vizi- nho Paquistão. Na Europa, a Alemanha, com sua Energiewende, usa a nar- rativa de transição energética para reafirmar seu poder na região, também uma forma de reinventar sua identidade pós-Segunda Guerra. O que todos esses movimentos significam para o Brasil, onde também há manifestações pelo clima, intensificadas após uma temporada de quei- madas na Amazônia e de derramada de óleo no litoral Nordestino? Que se o país decidiu explorar a riqueza de seus recursos naturais não renováveis, deve fazê-lo o quanto antes. Por outro lado, também precisa preparar-se pa- ra tirar proveito e não se tornar dependente das novas tecnologias renová- veis, que certamente farão parte de seu futuro ener- gético. Afinal, o que a opinião pública exige cada vez mais é ampliação da sustentabilidade e a limitação de emissões, fortemente associadas no imaginário popular à queima de combustíveis fósseis. Lívia Neves Editora Executiva
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