Brasil Energia | Ed. 460 - Novembro, 2019

40 Brasil Energia , nº 460, 14 de novembro de 2019 EÓLICA que iam para o município. “Tínha- mos uma pousada. Hoje temos seis”, conta. Lembra ainda que ocorreu uma maior contratação de mão de obra local”. Agora a demanda maior é por cargos técnicos, com formação. E as empresas trazem esses profissio- nais de outras regiões. “Tem gente de todo país aqui”, conta. A avaliação é que as empresas poderiam investir na qualificação profissional nos municípios on- de estão os projetos, melhorando a qualidade da mão de obra local e possibilitando a absorção em seus quadros, no futuro. IMPACTO MAIOR DURANTE AS OBRAS Compartilha dessa opinião Vic- tor Samuel, secretário de Desenvol- vimento de São Gonçalo do Ama- rante, município que aparece em segundo lugar do ranking a partir dos números do IBGE. Na cidade aconteceu o mesmo: o maior impacto no município ocor- reu na fase de implantação dos par- ques, quando a cidade viveu um boom de contratações para constru- ção civil. “Hoje, infelizmente, não ge- ra mais tanto emprego”, afirma. Samuel observa que o cresci- mento do PIB de São Gonçalo do Amarante está mais relacionado ao Porto de Pecém, um grande divi- sor de águas para a região. “Mas te- mos a arrecadação da movimenta- ção portuária por conta das expor- tações de pás eólicas e aerogerado- res produzidos no Ceará em Pecém, que gera um acréscimo na receita”. Segundo dados do estudo Cea- rá em Comex, da Federação das In- dústrias do Estado do Ceará (Fiec), a exportação de pás eólicas e ae- rogeradores produzidos no Ceará cresceu seis vezes (672%) no pri- meiro trimestre deste ano, na com- paração com igual período de 2018. Mas não é só no Nordeste que a eólica tem dado sua contribuição. Em Santana do Livramento (RS), a arrecadação com a atividade im- pediu, inclusive, que o município chegasse a uma situação caótica, equilibrando as contas durante a crise econômica dos últimos anos. Fora outros benefícios como a construção de vias de acesso, me- lhoria da segurança e o incentivo à capacitação e pesquisa. “É inequívoca a importância da eólica para Livramento. Se hoje vi- vemos momentos difíceis em re- lação a queda nas receitas, sem o Complexo Eólico, certamente, po- deríamos estar vivendo uma crise sem precedentes”, afirma o secre- tário de Desenvolvimento Econô- mico do município, Carlos Eduar- do Grisolia da Rosa. n Aumento do PIB per capita acima da média brasileira “A abundância dos ventos vem ajudando a reverter ou equilibrar a situação de municípios brasileiros, sobretudo na região Nordeste”, observa o diretor da Aneel Sandoval Feitosa. A agência está finalizando o estudo “Impactos da geração eólica no desenvolvimento socioeconômico”. Nele, analisa 73 municípios que tiveram geração eólica instalada entre 2010 e 2016. De acordo com a pesquisa, o PIB per capita médio dos 73 municípios antes das eólicas (2010) era de R$ 10.931,66. Em 2016, o PIB per capita médio dos 73 municípios saltou para R$ 21.860,84. Na média, o PIB dos municípios com eólica teve um aumento de 152% no PIB per capita. “De acordo com nosso levantamento, os municípios onde as eó- licas se instalaram tiveram um crescimento do PIB 105% maior que os demais. Se considerarmos apenas eólicas maiores de 5 MW, o au- mento do PIB desses municípios foi 121,5% maior”, conta Sandoval. 79% 152% 164% Variação PIB per capita entre 2012 e 2017 Fonte: Aneel

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