Brasil Energia | Ed. 460 - Novembro, 2019

Brasil Energia , nº 460, 14 de novembro de 2019 43 D e 2014 a 2017, o setor de transmissão de energia no Brasil quase viveu à base de “pão e água”. Para manter toda a infraestrutura funcionando, com recurso contado praticamen- te na ponta do lápis, os investimen- tos das concessionárias para troca de equipamentos próximos do fim de vida útil acabaram, ainda que de forma involuntária, contingencia- dos naquele período. A conta para a retomada desse trabalho, que já começou, mas deve se estender por cerca de dez anos, está orçada em R$ 32 bilhões, segundo cálculo atu- alizado da Abrate. Trata-se de um enorme desafio tanto para as transmissoras como para os fabricantes de equipamen- tos e também para o ONS, que está organizando, junto com as empre- sas, um cronograma para as inter- venções, levando em consideração prioridades e de maneira a mini- mizar os riscos para o sistema. Dos 96.740 equipamentos em fim de vida útil - a grande maioria concentrada nas subsidiárias da Eletrobrás, ISA CTEEP e Cemig, as mais antigas -, apenas 15,3%, foram indicados para pronta tro- ca. A maior parte do trabalho es- tá em programação. O lado bom dessa história, avalia o presidente da Abrate, Mario Miranda, é que se espera uma intensa movimen- tação em compra de equipamen- tos e serviços, gerando negócios e empregos num momento em que o Brasil atravessa uma grave crise econômica. Para os grandes fornecedores, há uma perspectiva otimista adi- cional. A ideia é que, ao substi- tuir equipamentos, as empresas de transmissão aproveitem o momen- to para investir também na digitali- zação das suas instalações. Garantir maior confiabilidade na operação, afinal, é também uma forma de afastar problemas que possam ser alvo de duras penalidades por par- te da Aneel. A depender da origem e natureza de eventuais falhas, a re- gulação atinge diretamente a remu- neração das concessionárias, com cortes na respectiva Receita Anual Permitida (RAP). A DIMENSÃO A figura já é bastante conheci- da para quem frequenta os even- tos do setor elétrico. Quando um palestrante quer dar uma ideia das dimensões do Sistema Interligado Nacional, recorre logo à sobrepo- sição da malha de linhas de trans- missão ao mapa da Europa. Es- sa mega rede se ramifica ao longo de, pelo menos, 142 mil quilôme- tros, segundo o ONS, o suficiente para interligar a maioria dos paí- ses daquele continente. Até 2023, a previsão é de que ainda avance até 185,5 mil km. O orçamento inicial para a subs- tituição de mais de 95 mil equipa- mentos foi estimado em R$ 21 bi- lhões. Mas esse número, segundo 538 826 860 1,061 1,513 1,542 1,648 2,016 2,900 4,103 4,203 8,121 8,748 12,394 14,975 16,477 123 101 156 137 353 160 128 952 178 896 1,195 916 3,905 1,836 1,990 1,789 Bobina de bloqueio Bucha de transformador/reator Painel Observabilidade e controlabilidade Miscelânea Compensação reativa Transformador de potência Sistema de telecomunicação Linha de transmissão Disjuntor Serviço auxiliar Transformador de potencial Para-raios Transformador de corrente Sistema de proteção, controle e superv. Chave seccionadora Sem indicação Indicados em programas de substituição até 2017 Substituição de equipamentos por fim de vida útil Fonte: Abrate

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