Brasil Energia | Ed. 460 - Novembro, 2019
50 Brasil Energia , nº 460, 14 de novembro de 2019 PETRÓLEO cado brasileiro”, explicou a agência via assessoria de imprensa. As bacias são consideradas atrativas para players com dife- rentes perfis. Pará-Maranhão é uma fronteira de médio a baixo risco com alto prêmio, mais ade- quada às majors, enquanto a Ba- cia do Ceará – madura em águas rasas e pouco testada em águas profundas – atrairia principal- mente empresas de médio por- te. Já Pelotas tem alto risco e al- to prêmio, apresentando-se como proposta sobretudo às grandes petroleiras, mas, de modo geral, a companhias com inclinação a ris- cos em troca da possibilidade de obter altas compensações. Essas regiões trazem, no entan- to, desafios para os investidores dis- postos a apostar em novas frontei- ras. Além de distantes dos centros de maior desenvolvimento da ca- deia de fornecedores, as bacias têm em seu histórico imbróglios am- bientais. Para evitar reincidências, a ANP, o MME e o MMA evitarão áreas mais sensíveis. Além de contar com similarida- des com a Margem Equatorial afri- cana – palco de grandes descober- tas, como a de Jubilee, com cerca de 800 milhões de barris recuperáveis –, Pará-Maranhão goza de privile- giada proximidade com a Guiana e Guiana Francesa, onde 16 desco- bertas de petróleo foram feitas nos últimos três anos e há perspectiva de produção de 1 milhão de b/d na próxima década. Operadora de dois blocos ex- ploratórios na bacia, a Enauta obteve bons resultados em sísmi- cas na região, onde apenas duas descobertas foram feitas até ho- je – ambas em 2011, pela Petro- bras, no prospecto de Hárpia, em lâmina d’água de 2,061 mil m. A petroleira diz que aguarda libe- ração do Ibama para começar a perfurar na bacia, mas o órgão ambiental afirma que ainda não emitiu parecer porque a compa- nhia teria informado que não es- tá interessada na imediata ope- ração dos blocos. No momento, a empresa conduz uma operação de farm-out em busca de parcei- ros para os ativos. Na Bacia do Ceará – onde há concessões operadas por petrolei- ras privadas como a Exxon, To- tal, Premier, Chevron e Winter- shall – a única companhia a per- furar até hoje foi a Petrobras. Ao todo, 139 poços exploratórios fo- ram perfurados na bacia desde a década de 70, sendo que duas per- furações feitas em 2012 – batiza- das como Pecém (1-BRSA-1080- -CES) e Canoa Quebrada (1-BR- SA-1114-CES) – encontraram pe- tróleo em lâmina d’água próxima a 2 mil m, o que pode atrair o inte- resse de empresas focadas em ati- vos de águas profundas. O caso é semelhante ao da Ba- cia Potiguar, onde foram feitas des- cobertas em águas profundas: Tan- to e Pitu, em 2013 e 2015. A região também tem atraído o interesse de petroleiras estrangeiras e, ho- je, conta com 15 blocos sob con- cessão, totalizando área de 11,6 mil km². Os ativos são operados por Petrobras, ExxonMobil, Ecopetrol e Wintershall. No extremo sul do país, na Ba- cia de Pelotas, atividades explora- tórias também remontam aos anos 70, mas sem registros de descober- tas. Apesar disso, a ANP ressalta que o esforço exploratório resultou em considerável volume de dados de linhas sísmicas bidimensionais e de métodos potenciais em boa par- te da região. Operadora de quatro blocos em Pelotas, a Petrobras preten- de dar sequência a campanhas exploratórias na bacia, mas, pa- ra isso, terá de superar entraves ambientais. A petroleira teve seu pedido de licenciamento negado pelo Ibama por não ter forneci- do informações suficientes nem adotado medidas e projetos em resposta à sensibilidade ambien- tal e aos impactos das ativida- des. A empresa apresentou novas informações que permitiram o prosseguimento do processo em julho de 2019. Em anos recentes, petrolei- ras como a Equinor, ExxonMobil e Total fizeram apostas na por- ção uruguaia de Pelotas. As du- as últimas foram, por sinal, as Pedro Zalan: condições geológicas, políticas, jurídicas e econômicas no Brasil são imbatíveis
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