Brasil Energia | Ed. 461 - Fevereiro, 2020
ISSN0101-7837 Diretor Presidente Celso Knoedt Diretores Patrícia Quintão Rosely Máximo Editor Executivo Lívia Neves Redatores Ana Luisa Egues Antonio Carlos Sil Bruno Postiga Carlos Vasconcellos Chico Santos Cláudia Siqueira Gabriela Medeiros Gabriel Ramalho João Montenegro Lais Carregosa Lívia Neves Marcelo Furtado Rafael Luis Fernandes Thais Custodio Tratamento de Dados Mauricio Fagundes Rick Marzioni (est.) Programação Visual Ana Beatriz Leta Impressão Aerographic ASSINATURAS Gerente de Assinaturas Alessandra Alves assinaturas@brasilenergia.com.br Tel: (21) 3503-0306 Digital Diário + Impresso AssinaturaAnual: R$ 945 / US$ 645 Assinatura Mensal: R$ 85 Atendimento ao assinante tel.: (21) 3503-0302 PUBLICIDADE Paula Amorim publicidade@brasilenergia.com.br Rio de Janeiro Bianca Bandeira - (21) 3503-0309 Elia Carvalho - (21) 97918-3539 Lúcia Ribeiro - (21) 97015-4654 São Paulo Fernando Polastro - tel/fax: (11) 5081-6681 EDITORA BRASIL ENERGIA LTDA Av.Almirante Barroso, 63, Gr 2007 20.031-003 - Rio de Janeiro Tel (21) 3503-0303 Brasil Energia , nº 461, 15 de fevereiro de 2020 3 A década da ação e as petroleiras A crise climática entrou definitivamente na pauta da elite econômica glo- bal, sendo o principal tema do seu tradicional encontro em Davos, na Suíça, neste ano. Os líderes das maiores companhias globais, e todos os participantes do Fórum Econômico Mundial, receberam uma carta antes do evento, reali- zado em janeiro, que os convocou a liderar ativamente a transição global para uma economia de baixo carbono. O fórum classificou a crise climática como o principal risco global do momento, e evidenciou a necessidade de integrar go- vernos e empresas na busca por uma solução, de forma enfática - um dos pai- néis de discussão foi chamado de “Evitando um apocalipse climático”. A urgência é pelo corte nas emissões de gases de efeito estufa, que con- tinuam a aumentar em média de 1,5% ao ano, enquanto deveriam cair de 3% a 6% ao ano até 2030, para limitar o aquecimento global a 1,5°C a 2°C, segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da ONU. Apesar de em 2019 terem se mantido estáveis - após uma alta recorde em 2018 - as 33 gigatoneladas de emissões anuais ligadas ao setor de energia mos- tram que há um longo caminho e é necessário muito esforço para redução. A responsabilidade empresarial é clara. Um levantamento realizado pe- lo Climate Accountability Institute divulgado em outubro pelo jornal bri- tânico The Guardian, mostrou que as atividades de 20 petroleiras (estatais e privadas) foram responsáveis por 35% das emissões de dióxido de carbo- no no mundo entre 1965 e 2017. Sexta nesta lista das maiores emissoras, com estimativa de 34,2 bilhões de toneladas emitidas no período, a britânica BP se tornou a mais recente petroleira a anunciar uma meta de redução. Após uma reestruturação or- ganizacional, promete não apenas reduzir as emissões de suas operações para zero como também reduzir em 50% a intensidade de carbono dos seus produtos até 2050. A empresa segue promessas da Shell, Total e Equi- nor (todas na lista) de reduzir pela metade a intensidade de carbono de seus negócios até 2050. Na prática, isso significa, além de tornar mais efi- ciente suas operações em óleo e gás, passar a investir em outras fontes, re- nováveis, de energia. Enquanto vê seus pares se alinhando, ao menos com o estabelecimen- to de metas, à transição energética e ao combate à crise climática, a Petro- bras é discreta em suas ambições de eficiência e redução de emissões. Na contramão de outras empresas do setor, desinveste em biocombustíveis e está longe do aumento da produção de gás, com taxas altas de reinjeção - por sinal, o combustível de transição e ponte para muitas produtoras entrarem no mercado de ener- gia elétrica. A “década da ação” começou mas, por enquan- to, a principal companhia de energia do Brasil, quando age, vai na direção contrária. Lívia Neves Editora executiva
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