Brasil Energia | Ed. 461 - Fevereiro, 2020

56 Brasil Energia , nº 461, 15 de fevereiro de 2020 SOLAR sam imediatamente a pagar o cus- to da rede (TUSD Fio B e Fio A*). Em 2030, ou quando atingido uma quantidade de GD pré-determina- da em cada distribuidora, esses con- sumidores passam a compensar o componente de energia da Tarifa de Energia (TE), e pagam além dos custos de rede, os encargos. EM MEIO À POLÊMICA, 2 GW O Brasil ultrapassou a marca de 2,1 GW de geração distribuída de energia elétrica. Mais da meta- de desse volume foi instalada só em 2019, ou 1,4 GW, segundo dados da Aneel. O crescimento expressivo no ano passado já era esperado pelo se- tor, que previu que a perspectiva de novas regras para a GD a partir de 2020 iria impulsionar os consumi- dores e empresas a instalarem siste- mas antes damudança regulatória. A fonte mais utilizada para ge- ração distribuída é a solar, que em janeiro deste ano chegou a 2.000 MW e 172,2 mil micro e mini usi- nas. Emsegundo lugar empotência instalada está a produção por cen- trais geradoras hidrelétricas, com 96,6 MW e 100 usinas. Em terceiro lugar, está a produção por termelé- tricas, com 63 MW e 212 usinas. Já a fonte eólica é a menos utilizada, com 10,4MWe 61 usinas. Os estados que mais aderiram à micro e à minigeração foramMi- nas Gerais (35,8mil unidades de ge- ração e 431 MW de potência insta- lada), Rio Grande do Sul (22,6 mil unidades e 270 MW) e São Paulo (27,7 mil unidades e 247,2 MW). No total,opaís possui 172,6mil uni- dades de geração distribuída. Confira mais detalhes sobre o perfil da geração distribuída no Brasil no infográfico. Estimativas de impacto financeiro O debate sobre a revisão das regras de geração distribuída gerou diferentes cálculos de estimativa de impacto financeiro da modalidade no Brasil. A Ab- solar estima que a GD solar pode acrescentar mais de R$ 13,3 bilhões em be- nefícios líquidos para todos os consumidores do setor elétrico até 2035, caso as regras vigentes sejammantidas. O levantamento tem como base dados oficiais de órgãos do governo e foi realizado visando rebater os cálculos feitos pela Aneel e Ministério da Econo- mia, os quais a associação considera “insuficientes”. Em relatório encaminha- do à agência, o ministério afirma que os atuais incentivos à geração distribuída vão gerar um custo de mais de R$56 bilhões até 2035, que impactarão todos os consumidores de energia elétrica. As análises da Absolar apontam ainda que, para cada R$ 1 investido em sis- temas fotovoltaicos de pequeno e médio portes o setor devolve mais de R$ 3 em ganhos elétricos, econômicos, sociais e ambientais aos brasileiros. A associação explicou que o cálculo foi feito a partir dos dados de investi- mentos realizados na área desde 2012, levando em consideração os incremen- tos de arrecadação dos governos federal, estaduais e municipais decorrentes desses aportes e a geração de novos empregos e renda no país com os negócios e projetos desenvolvidos no período, entre outros indicadores. Esses atributos, argumenta a Absolar, não foram considerados nos estudos da Aneel e do Mi- nistério da Economia. De acordo com a Absolar, desde 2012 os consumidores brasileiros já inves- tirammais de R$ 8,4 bilhões em sistemas de GD solar. Só em2019, a associação calcula que o segmento criou 92 postos de trabalho por dia.No acumulado, são mais de 100 mil empregos. AAbradee, por sua vez, afirma que se os atuais subsídios para a geração dis- tribuída foremmantidos, em aproximadamente dois anos, vão chegar a R$ 2,5 bilhões anuais concedidos a pouco mais de 600 mil beneficiados. “Para se ter uma ideia, será maior do que o desconto dado na tarifa social aos consumido- res de baixa renda, que são mais de 9 milhões em todo o Brasil”, diz. n Cálculos sobre custos e benefícios da geração distribuída também são motivos de disputas

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