Brasil Energia | Ed. 461 - Fevereiro, 2020

58 Brasil Energia , nº 461, 15 de fevereiro de 2020 TECNOLOGIA kWh em 2010 para US$ 176/kWh em 2018. A projeção da Bloom- bergNEF para 2030 é que o preço chegue a US$ 62/kWh. Também em 2030, o Brasil de- ve chegar a 4,8 GW (10,8 GWh) de capacidade acumulada de armaze- namento de energia, ainda segun- do a BloombergNEF. Em termos de investimento, a estimativa é de que em 2030 sejam investidos US$ 533 milhões em armazenamento no país. A empresa prevê que a prin- cipal aplicação do armazenamento no país será a comercial, que deve representar 3,6 GW em 2030. Para analista de Armazenamen- to de Energia da BloombergNEF, Yayoi Sekine, o programa de P&D da Aneel sobre armazenamento de energia, que está em execução, é um importante primeiro passo pa- ra a indústria local. O próximo, diz, é a criação de um marco regulató- rio de armazenamento que inclua novas tecnologias, como as bate- rias, para que essas possam compe- tir com tecnologias convencionais, como geradores térmicos e linhas de transmissão e distribuição. Para Yayoi, os termos “arma- zenamento de energia” e “ba- terias” devem ser incluídos nos manuais de operação do sistema elétrico, em uma categoria sepa- rada de geração e demanda. “É necessário também que os aspec- tos técnicos e físicos sejam consi- derados na operação do sistema de despacho. Por exemplo, que haja formas de providenciar pa- râmetros de restrição quanto à carga de descarga da bateria, en- quanto que o sistema considere e remunere o benefício que a velo- cidade de resposta da bateria po- de providenciar ao sistema”, diz. PESQUISA E DESENVOLVIMENTO A Aneel lançou chamada pú- blica de P&D estratégico sobre o tema em 2016. Ao todo, 21 pro- jetos aprovados na chamada es- tão em andamento. A Cemig está desenvolvendo dois projetos que somam investimentos de R$ 48,2 milhões. Um deles conta com três sistemas instalados junto à usina solar de 200 kWp da Alsol Ener- gias Renováveis, em Uberlândia (MG). O maior sistema, com ba- terias de íon de lítio, tem potência de 1,26 MVA e capacidade de ar- mazenamento de 1,36 MWh. Os outros dois sistemas contam com baterias de chumbo ácido, novas e reutilizadas, e somam 175 kVA e 225 kWh. A ideia foi reutilizar ba- terias de chumbo ácido de centros de processamento de dados. Os centros usam as baterias por dois anos e depois as descartam, expli- ca o gerente do projeto, Alécio de Melo. A conclusão, com avalia- ções e resultados de operação, es- tá prevista para outubro de 2021. Além do desempenho dos sis- temas e seus impactos na rede, a distribuidora vai testar também a possibilidade de injetar de energia em sua própria rede no horário de ponta. Futuramente, os sistemas podem ser implantados dentro de unidades consumidoras, como par- te de um novo negócio da Cemig, diz Melo. A princípio, a ideia é mais atrativa para consumidores de mé- dia tensão, que conseguiriam con- trolar melhor o uso de energia e substituir a geração a diesel. O outro projeto da Cemig con- siste em sistema a bateria de lítio de 750 kW de potência e 1.000 kWh de capacidade e um de bateria de chumbo carbono, de 400 kW e 750 kWh. Os sistemas serão conectados ao alimentador da Cemig e instala- dos na UFMG, em Belo Horizon- te, no primeiro semestre de 2020. O investimento é de R$ 25,5 milhões. Uma das executoras desse pro- jeto é o Instituto de Tecnologia Edson Mororó Moura (ITEMM), que tem como foco pesquisar e desenvolver soluções de armaze- namento em baterias. Até março, o instituto prevê concluir a insta- lação de uma usina solar de 312 kWp, no estacionamento de sua sede em Belo Jardim (PE), conec- tada a um sistema de armazena- mento em baterias de chumbo carbono com 250 kW de potên- cia e 560 kWh de capacidade. O No PDE 2029, a EPE considerou o valor médio de R$ 4.000 / kWh para uma bateria residencial, um preço ainda muito elevado para esse segmento

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