Brasil Energia | Ed. 461 - Fevereiro, 2020

62 Brasil Energia , nº 461, 15 de fevereiro de 2020 COMBUSTÍVEIS MUITOS AJUSTES ANTES DE MUDAR BRUNO POSTIGA O mercado de combustíveis no Brasil passa por um momento de transforma- ção com a chegada de no- vos players no segmento de distri- buição e a expectativa em torno dos desinvestimentos em refino da Pe- trobras — o que, pelos planos do governo, ampliará a competitivida- de no setor e reduzirá os preços ao consumidor final. Em 2018, mais de 136 bilhões de litros (cerca de 856 milhões de barris) de combustíveis foram co- mercializados no país, segundo a ANP, marcando o terceiro ano consecutivo de alta. Os dados de 2019 ainda não estavam disponí- veis no momento da publicação da reportagem, mas a projeção até novembro indicava aumento de 3,2% das vendas em relação ao ano anterior. Os derivados são comercializa- dos por cerca de 150 distribuido- ras em mais de 40 mil postos e 100 aeroportos. Apesar do grande nú- mero de empresas, a distribuição é dominada por três companhias, que detém cerca de 60% do merca- do: BR Distribuidora, Raízen e Ipi- ranga. Os combustíveis mais vendi- dos são o diesel (44%), a gasolina (30%) e o etanol (15%). Para atrair novos agentes — em especial os estrangeiros — e incen- tivar a competição, será preciso, no entanto, que o país consiga desen- volver uma rede logística diferen- te da que temos hoje, moldada por regiões supridas pelo refino mono- polizado, e garantir maior seguran- ça jurídica, notadamente no que diz respeito a tarifas. “Ninguém quer deixar de lado o 5º maior mercado de combustíveis do mundo. A questão é que ainda há muito ruído regulatório.Mais atores [externos] ainda não vieram por- que, para muitos, não está tão cla- ra a regra do jogo”, observa Helvio Rebeschini, diretor de Planejamen- to Estratégico e Mercado da Plural. Em dezembro de 2019, a asso- ciação foi desfeita para dar lugar a uma entidade mais abrangente, que cuidará de todo o downstream (refino, logística e distribuição) nos aspectos normativo, legislati- vo e regulatório. Assim, o setor fi- cará com três braços atuantes, in- cluindo o Sindicom (cuidando dos assuntos patronais, sindicatos) e o Instituto Combustível Legal, tam- bém em formatação, que cuidará de temas relacionados a fraudes e comércio ilegal, dando suporte aos órgãos de fiscalização. A hesitação leva em conta o passado de intervenção do go- verno no controle dos preços dos combustíveis — cenário que co- meçou a mudar com a Petrobras tendo carta branca para precificar os combustíveis com paridade in- ternacional e a sinalização do go- verno em abrir o mercado. Além da necessidade de um am- biente regulatório mais seguro e transparente, o país ainda esbarra em questões como a complexa carga tributária, que impõe barreiras pa- ra o desenvolvimento dos negócios. FUSÕES E AQUISIÇÕES Nos últimos dois anos, o mer- cado viu uma série de operações

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