Brasil Energia | Ed. 462 - Abril, 2020
Brasil Energia , nº 462, 30 de abril de 2020 19 Jorge Mitidieri Jorge Mitidieri é engenheiro e vice-presidente de Serviços Integrados da Ocyan Omercado de FPSO no Brasil tem grandes perspecti- vas de crescimento para os próximos anos. A expectativa é que até 12 novos contratos sejam assinados até 2021/22 e que até 26 FPSOs entrem em operação até 2026 – isso sem considerar as áreas de exploração arrematadas nas rodadas de 2017 a 2019. Vamos perceber essa efervescência no maior evento do setor no país, o FPSO Congress Brazil, cuja terceira edição vai abordar desde o desenvolvi- mento e execução do projeto até as operações, focan- do em novos negócios, maximizando a capacidade da indústria local. A retomada das rodadas em 2017 pela Agência Na- cional de Petróleo (ANP), que resultou em mais de 60 blocos arrematados, e a mudança do foco estratégico da Petrobras para águas ultraprofundas despertaram interesse de outras empresas, tanto nacionais quanto estrangeiras, para aquisição de campos e plataformas. Alguns exemplos são a venda dos campos de Baúna e Frade à Karoon e PetroRio, respectivamente, assim co- mo o aumento do portfólio pelas grandes companhias petrolíferas internacionais (IOCs), como Equinor, Shell, Exxon e Total. Ainda no atual contexto, outras empresas conquista- ram seus primeiros blocos como operadora. A Petronas, com um, a Chevron, com três blocos, e a Exxon, com a aquisição de 17 blocos. Novos entrantes, como a Win- tershall e BW Energy, também estão sendo atraídas por blocos maduros e de águas rasas. O crescimento do mercado offshore reforça a pers- pectiva de um futuro promissor para o setor no país. A vinda das empresas estrangeiras movimentará a cadeia: contratos serão assinados no curto, médio e longo pra- zos. O enorme potencial dos campos de Mero e Búzios cria uma larga escala, trazendo maior previsibilidade a esses fornecedores. Muitos vão surgir e outros tantos precisarão estar ca- pacitados para suprir toda a demanda que virá pela fren- te. Mas exemplos como o do FPSO Pioneiro de Libra, parceria da Ocyan com a Teekay Offshore, demonstram o conhecimento e a capacidade dos fornecedores para atender a processos complexos. Diante do mercado que se aproxima, a cadeia tem que estar preparada para aten- der à quantidade de FPSOs prevista para os próximos anos. Preocupação mundial Atualmente, 28 FPSOs estão em construção no mun- do e a expectativa é que 15 novos contratos sejam assina- dos ainda em 2020. A crescente demanda mundial, com- binada com o número restrito de operadores, é uma das principais preocupações da indústria, além da restrição de capital, que é considerada um grande gargalo do se- tor, sobretudo no Brasil. A construção de um FPSO demanda elevado volume de capital, exigindo de algumas empresas a apresentação de garantias de financiamentos na fase de construção de projeto, cada vez mais difíceis neste cenário atual. O dinamismo do setor, com a retomada das en- comendas, ocorre em um momento de crescimento também no campo da inovação tecnológica. A nova realidade da indústria 4.0 – sob a égide de novos pa- radigmas como IoT (Internet of things), Big Data e Machine Learning – apresenta projetos com maior se- gurança de processos, integração de sistemas, redução de custos em manutenção e melhora de performance, melhor atendimento ao cliente. O programa Ocyan Waves Challenge, lançado no ano passado, promove a integração de startups na solução de desafios opera- cionais, ocasionando melhoria de performance e re- dução de custos operacionais. Felizmente, para o nosso país, o mercado de FPSO passa pelo Brasil, exigindo evolução do setor, preparação e capacitação para a demanda crescente. O MERCADO DE FPSO PASSA PELO BRASIL
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=