Brasil Energia | Ed. 462 - Abril, 2020

22 Brasil Energia , nº 462, 30 de abril de 2020 SOLAR As áreas técnicas doMinistério da Economia e do Ministério da Ciên- cia, Tecnologia, Inovações e Comu- nicações (MCTIC) consideram per- tinente a solicitação do setor, que possibilitaria o aumento na compe- titividade dos produtos nacionais frente aos importados. De acordo com o coordenador-geral de Estímu- lo ao Desenvolvimento de Negócios Inovadores do MCTIC, Henrique de Oliveira Miguel, a previsão era que até maio seria aprovado um decreto que permitiria a inclusão dos equi- pamentos e insumos solicitados pelo segmento no Padis. Mas a pandemia do novo coronavírus tem centraliza- do os esforços do governo, o que po- de adiar pautas “menos urgentes”. FABRICANTES ABYD, empresa de origemchine- sa que produz módulos solares, bate- rias de fosfato de ferro-lítio e veículos elétricos, desde 2017 fabrica módu- los em Campinas (SP). Em março, a companhia havia anunciado que em 2020 ampliaria a produção. A fábri- ca opera em um turno e tem planos de operar em dois. Em 2019, a com- panhia produziu 125 MW. Para as- segurar a produção, a BYD dobrou a compra de insumos e aumentou o número de funcionários. Os fatores que justificam a aposta da companhia em uma melhoria do mercado nacional são a sinalização do governo de que não revisará neste ano a resolução normativa 482/2012, que regula a geração distribuída, o fortalecimento da legislação em prol da GD, a queda no preço das célu- las de maior eficiência e a renovação do Padis aprovada no final de 2019, além da decisão da Câmara de Co- mércio Exterior de zerar o imposto sobre importação da célula. Antes da pandemia, a expectativa da BYD era que com este novo cenário os custos da produção dos módulos nacionais poderiam cair entre 10% a 15%. A fábrica da BYD produz três ti- pos de painéis: policristalino, bifa- cial e monocristalino. O painel solar monocristalino bifacial foi o primei- ro módulo desenvolvido pela equipe de P&D da BYD Brasil. Segundo a empresa, o produto se destaca pela utilização de célula de alta tecnolo- gia com 22% de eficiência, com uma geração de 481Wp, em condições de 80% de reflexibilidade do solo. Já a Globo Brasil, fabrican- te brasieira de painéis desde 2015, quer dobrar sua produção neste ano em relação ao produzido em 2019, que foi 60 MW. No entanto, a alta do dólar, que impacta dire- tamente a empresa na importação de materiais, dificulta esse objetivo, disse a diretora comercial da com- panhia, Gislene Bergh. Outro fator preocupante para a empresa é a obrigatoriedade esta- belecida pelo BNDES a partir de 1º de janeiro de 2020 de que, para ob- ter financiamento do banco, os sis- temas fotovoltaicos precisam con- tar com inversores fabricados na- cionalmente. A companhia, junta- mente com a Absolar, tenta rever- ter essa regra, pois os inversores fa- bricados no país são para grandes potências e, portanto, não aten- dem à geração distribuída, seg- mento em que a companhia con- centra sua atuação. Grande parte das vendas da Globo Brasil está atrelada a linha de financiamento do BNDES Finame, por isso a companhia está sentindo o impacto da mudança na regra. Com a dificuldade de compe- tir com os produtos importados, e para atender a demanda do merca- do, a Globo Brasil também passou a vender kits geradores fotovoltai- cos com painéis importados. Atu- almente, 70% da receita da empre- sa vem de sua própria produção e 30% vem da venda dos kits. A companhia produz módulos policristalinos e monocristalinos, com potências entre 270 W e 330 W, e planeja começar a fabricar pro- dutos de 375 W em 2020. Segundo Gislene, o principal diferencial dos painéis fabricados pela Globo Bra- sil para os importados é que os da companhia são testados individual- mente, para garantir que a qualida- de e a potência entregue por cada painel atenda ao que é prometido. Ela conta que ao testarem individu- almente os painéis importados que a empresa compra para revenda ve- rificam que nem sempre esses apre- sentam a potência real informada pelo fabricante. n Antes da pandemia, previsão era que equipamentos e insumos fossem incluídos no Padis até maio

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