Brasil Energia | Ed. 462 - Abril, 2020
Brasil Energia , nº 462, 30 de abril de 2020 3 ISSN0101-7837 Diretor Presidente Celso Knoedt Diretores Patrícia Quintão Rosely Máximo Editor Executivo Lívia Neves Redatores Ana Luisa Egues Antonio Carlos Sil Bruno Postiga Carlos Vasconcellos Chico Santos Cláudia Siqueira Gabriela Medeiros Gabriel Ramalho João Montenegro Lais Carregosa Lívia Neves Marcelo Furtado Rafael Luis Fernandes Thais Custodio Tratamento de Dados Mauricio Fagundes Rick Marzioni (est.) Programação Visual Ana Beatriz Leta Impressão Aerographic ASSINATURAS Gerente de Assinaturas Alessandra Alves assinaturas@brasilenergia.com.br Tel: (21) 3503-0306 Digital Diário + Impresso AssinaturaAnual: R$ 945 / US$ 645 Assinatura Mensal: R$ 85 Atendimento ao assinante tel.: (21) 3503-0302 PUBLICIDADE Paula Amorim publicidade@brasilenergia.com.br Rio de Janeiro Bianca Bandeira - (21) 3503-0309 Elia Carvalho - (21) 97918-3539 Lúcia Ribeiro - (21) 97015-4654 São Paulo Fernando Polastro - tel/fax: (11) 5081-6681 EDITORA BRASIL ENERGIA LTDA Av.Almirante Barroso, 63, Gr 2007 20.031-003 - Rio de Janeiro Tel (21) 3503-0303 Tempestade no petróleo; atenção em renováveis Uma tempestade perfeita. Não há melhor expressão para ilustrar o que se passa no setor de óleo e gás. Se os exportadores de petróleo já se viam às turras para balancear a oferta e a demanda, enquanto a cadeia de bens e serviços ainda se recuperava de anos difíceis após a crise iniciada em 2014, o problema apenas se agravou com a pandemia do novo coronavírus. O corte de produção acordado pela Opep+, em abril, foi tímido, dian- te da queda sem precedentes do consumo de combustíveis em virtude do necessário isolamento social para conter a Covid-19. Tanto é que, uma se- mana depois do acerto, o barril norte-americano (WTI) chegou a ser ne- gociado a preços negativos por falta de espaço para armazenar o excedente. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a pandemia repre- senta o maior choque sobre o sistema de energia mundial em 70 anos, pos- sivelmente reduzindo em 6% o consumo em 2020 – sete vezes mais que a queda registrada no pós-crise de 2008 ou o equivalente à demanda total de energia da Índia, terceiro maior consumidor do planeta. A previsão é que a demanda por petróleo caia 9,3 milhões de b/d este ano (- 10% ante 2019) e por gás natural, 5%, após dez anos de crescimen- to ininterrupto. As fontes renováveis serão as únicas a crescer no ano, com destaque para a solar e eólica, elevando a participação de energias de baixo carbono para 40% da geração elétrica em 2020. A crise deve servir como alerta para a indústria petrolífera. Como disse recentemente o CEO da BP Energy, Bernard Looney, o mundo está vendo que é possível funcionar com menos consumo de combustíveis, trabalhan- do e vivendo remotamente. “Junto à transição energética, essa possibilida- de de futuro se torna um desafio para o mercado de petróleo”, assinalou. Caberá à indústria se reinventar, adaptando-se ao“novo normal”mencio- nado pela presidente do IBP, Clarissa Lins, entrevistada pela repórter Cláudia Siqueira junto ao diretor da Abespetro, Adyr Tourinho. E, como pontuou o vice-presidente da Baker Hughes na América Latina, será preciso cooperação entre petroleiras e fornecedores para atravessar mais um período de dificul- dades, com vultosos cortes de investimentos e renegociações de contratos. Embora em situação menos desconfortável, o setor de renováveis deve ficar atento às transformações: com o barril em baixa, novos projetos na área correm o risco de perder competitividade. Mas o momento também é visto como oportuno para defender estratégias e programas de retomada da economia global que considerem objetivos de longo prazo de redução de emissões, que devem cair anormalmente – e não estruturalmente – este ano. Ou seja, que os pacotes de estímulo que os governos preparam inclu- am a transição para matriz energética mais eficiente e sustentável. Aconferir como sedesenrolarãoos próximos atos desta cenade filmedistópico. João Montenegro é editor e repórter do PetróleoHoje.
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