Brasil Energia | Ed. 462 - Abril, 2020

Brasil Energia , nº 462, 30 de abril de 2020 35 do Mel (RN), com 247,8 MW, com entrega em curso. Além desses, entre outros grupos com menos projetos, se destacam a Brennand Energia, com mais três parques na Bahia, com total de 93,3 MW, e a Copel, com dois projetos com po- tência total de 71 MW. EXPECTATIVA Os dados confirmam a tendên- cia de migração dos contratos do setor eólico para o ACL desde 2018. Segundo estimativa da Abeeóli- ca, em 2018 e 2019 foram negocia- dos pelo setor 4 GW de energia em contratos no ACL, contra 2,38 GW no ACR. Atrás dos melhores preços dos contratos bilaterais do merca- do livre, os empreendedores passa- ram a comercializar em média ape- nas 30% da energia ofertada para as distribuidoras nos leilões, dei- xando o restante para negociar no ACL. Somada a essa estratégia de casar atuação comercial nos dois ambientes – o que facilita financia- mento de longo prazo e conexão ao SIN – a implantação de proje- tos 100% livres promete ganhar ca- da vez mais importância. E a boa expectativa deve se manter, apesar do cenário volá- til pós-crise sanitária, que provo- cou redução no consumo e que- da nos preços de energia. Mesmo que a situação tenha provocado uma paralisação temporária nas várias negociações de PPAs em an- damento para estruturar projetos não iniciados, para o responsável por energia do project finance do Banco Santander, Igor Fonseca, a tendência é que, passados os pri- meiros meses da pandemia, as ne- gociações sejam retomadas. “Mesmo com os impactos eco- nômicos da crise, para os grandes consumidores industriais e do va- rejo o custo de energia será sempre significativo. Com a recessão, que deve provocar baixa nas vendas, a saída para eles será se concentrar na redução de custos, o que vai continuar a acontecer com a ener- gia renovável”, explica Fonseca. Para ele, a suspensão temporá- ria afetou projetos na fase de cap- tura de PPAs e anteriores à constru- ção. “Ninguém vai querer assumir um compromisso de longo prazo em um momento de incerteza”. Dentre o universo de proje- tos no ACL, na opinião de Fonse- ca, aqueles com mais problemas são os que iniciaram obras com recursos próprios dos acionis- tas, depois de ter assinado PPAs, e que ainda não haviam contratado as dívidas. “Eles vão sofrer algum impacto nas taxas de juros e nos custos financeiros, o que ocorre em um ambiente de escassez de liquidez”. O executivo fala com a propriedade de quem opera para um banco como o Santander, re- passador de recursos de bancos de fomento, emissor de fianças ban- cárias e estruturador de projetos com carteira total no mercado li- vre de 2,9 GW, sendo 1,6 GW ape- nas de eólicas. Complexo Delfina, operado pela Enel na Bahia: de 2019 a 2022, projeto fornecerá energia no ACL

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