Brasil Energia | Ed. 462 - Abril, 2020

Brasil Energia , nº 462, 30 de abril de 2020 63 de que ofereciam anteriormente. “Algumas fábricas são 95% auto- matizadas na produção, então a re- tomada é rápida”, comenta. O que pode afetar a decisão de novos pedidos, além da disponibi- lidade das fábricas, é a disparada do dólar globalmente, em reação aos efeitos da crise do vírus e da que- da de preço do petróleo. Não é só a questão cambial, os equipamentos fotovoltaicos podem encarecer ou ao menos desacelerar sua queda de preços por causa do Covid-19. Em relatório recente, a consul- toria GlobalData revisou suas pro- jeções de preço para módulos so- lares nos EUA - de um queda de 15,6% prevista para o quarto tri- mestre, em comparação com igual período de 2019, para um queda de 4% no período (chegando a US$ 0,348/W). Para o segundo trimes- tre, prestes a iniciar, a estimativa é de aumento de 15,3% nos preços, também em comparação anual, pa- ra o patamar de US$ 0,378/W. “Trabalhamos em um setor com estoque regulado por uma moeda internacional. Se vendo agora pelo que paguei, mais barato, como vou repor meus estoques?”, questio- na Magno. “Quem fez estoque es- tá mais tranquilo. Quem não ven- deu barato para todo mundo, está em condições melhores em face de empresas muito grandes que apos- taram em quantidade”, comenta. De acordo com a Greener, a alta de 31% na cotação do dólar no pri- meiro trimestre deste ano — mo- tivada principalmente pela crise do novo coronavírus — deve provocar aumento de 16% a 17% nos preços finais para consumidores. Na análise, a consultoria com- parou os valores de kits de 4 kW, 30 kW e 300 kW de janeiro deste ano (dólar a R$ 4,02), com valores simulados dos mesmos kits com o dólar a valores atuais (R$ 5,25). a estimativa é que os valores de kits de 4 kW, 30 kW e 300 kW passa- ram, respectivamente, de R$ 4,84/ Wp para R$ 5,62/Wp, de R$ 3,67/ Wp para R$ 4,29/Wp e de R$ 3,30/ Wp para R$ 3,87/W. CHINA, PRINCIPAL FORNECEDOR De US$ 1,027 bilhão gasto pe- lo Brasil com importação de célu- las solares fotovoltaicas no ano pas- sado, US$ 1,013 bilhão foi destina- do a China. O país asiático sempre foi o destino preferencial dos pedi- dos brasileiros, tanto para as célu- las solares já montadas em painéis - aquelas já prontas para instalação -, quanto para as células não monta- das - aquelas que são insumos para as fábricas locais. Enquanto, de forma geral, o gas- to com equipamentos fotovoltaicos quase dobrou de 2018 para 2019, o dispêndio com os insumos vem caindo, sinalizando queda de ativi- dade das plantas brasileiras. (Leia mais sobre a luta da indústria solar no país na pág. 20) EXPECTATIVA DE CRESCIMENTO O setor, de forma geral, vinha de uma expectativa otimista de cresci- mento, prevendo inicialmente do- brar para 8 GW sua capacidade to- tal, entre usinas de grande porte e de mini e microgeração. Atrasos ou paralisação das obras e queda da demanda, ao menos nos primeiros meses pós crise, podem arrefecer os planos no curto prazo. Entre geração centralizada e distribuída, é justamente a segun- da, mais pulverizada e vulnerável a restrições de circulação e for- mação de estoques, que deveria liderar a adição de capacidade so- lar no Brasil. Em 2019, pela pri- meira vez as modalidades inverte- ram posições. A geração centralizada vem de se- quência de queda nas instalações anu- ais com657MWem2019, contra 827 MW em 2018 e 933 MW em 2017. Para 2020, nova queda: 355 MW, de acordo com a fiscalização da Aneel. Em 2021, deve adicionar 1.501 MW - dos quais apenas 408 MW estão con- tratados no mercado regulado. Já a geração distribuída entregou 1.416 MW de solar em 2019, 396 MW em 2018 e 127 MW em 2017. Em 2020, já instalou mais que 2018 - foram 399 MW de janeiro até o fi- nal de março deste ano. IMPREVISIBILIDADE As empresas de energia solar es- tão sentindo assim como outros se- tores os impactos da pandemia glo- bal, seja no cotidiano do trabalho ou na demanda. A dificuldade de prever por quanto tempo a crise irá durar dificulta a tomada de deci- sões e preocupa os agentes. A NeoSolar projeta para abril uma queda de, pelo menos, 50% na demanda por equipamentos fo- tovoltaicos e serviços por ela ofe- recidos, em decorrência da pande- mia do novo coronavírus. Em mar- ço, a companhia cancelou ou pos- tergou quase todos os seus pedidos de importação de equipamentos, que chegariam em junho. E con- tará com seu estoque de seguran- ça até que percebam que a crise não vai durar muito, o que justificaria novos pedidos, disse o sócio-dire- tor da NeoSolar, Raphael Pintão, à Brasil Energia .

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