Brasil Energia | Ed. 463 - Junho, 2020
Brasil Energia , nº 463, 30 de junho de 2020 39 De lá para cá, contudo, a atual gestão já fez o suficiente para que a companhia fizesse jus, segundo o ranking de Aneel, à posição de se- gunda melhor distribuidora da re- gião Norte, algo difícil de imaginar em passado recente. A meta é al- cançar o primeiro posto na próxi- ma rodada de classificação. Com a pandemia da Covid-19, os desafios se intensificaram, mas, conforme compromisso assumi- do no leilão da B3, o grupo Oli- veira/Atem – vencedor da licitação – deve desembolsar, pelo menos, R$ 2,7 bilhões em cinco anos, lem- bra o presidente da Amazonas Energia, Tarcísio Estefano. De saída, estão sendo desem- bolsados, ainda conforme exigên- cias de edital, R$ 490 milhões pe- los acionistas, com previsão de to- talizar algo em torno de R$ 800 mi- lhões ainda em 2020 e, salvo even- tual reconsideração devido ao qua- dro de crise econômica, há previsão de mais R$ 500 milhões a R$ 600 milhões em 2021. “Por 30 meses antes da priva- tização ficamos sem orçamento, num esquema dificílimo de recur- sos. Mantivemos o sistema em pé sem saber ao certo a data de pri- vatização”, conta Estefano, no gru- po desde 2010, época que a empre- sa ainda agregava a parte de gera- ção e transmissão, desde março sob a responsabilidade da Eletronorte. O executivo conta que tão logo a Eletrobras repassou a concessão para o grupo Oliveira/Atem, uma das primeiras providências foi con- tratar a consultoria internacional Bain & Company para reestruturar sua organização. Na sequência, foi iniciada a implantação do sistema integrado de gestão, cujo desenvol- vimento está a cargo da alemã SAP. MANAUS Na ponta do atendimento ao cliente, em Manaus, onde se con- centra a maior parte da população do estado – quase dois milhões de habitantes, de um total de 3,9 mi- lhões em uma área de 1,5 milhão de km² – houve a expansão da rede de atendimento, com a abertura de lo- jas com instalações modernas e es- tacionamento. Ainda na capital, para reforço do sistema da zona central da ci- dade, uma nova subestação está prestes a ser colocada em opera- ção. Tem capacidade de 160 MVA e é a primeira da empresa blinda- da a gás SF6, com investimento de R$ 90 milhões. Outra unidade, em fase de construção, vai melhorar o forne- cimento da Zona Norte, com or- çamento na casa de pouco mais de R$ 80 milhões. “Em termos de in- teligência da rede, dispomos ago- ra de um sistema que acompanha a vida útil dos transformadores e avisa quando há iminência de um problema”, destaca. No que se refere ao contingen- te de trabalhadores, Tarcísio Es- tefano explica que o número te- ve uma ligeira queda, passan- do de cerca de 1.680 pessoas pa- ra 1.400. Segundo ele, esse ajuste tem sido feito com muito cuida- do, para não desguarnecer equi- pes mais especializadas. O foco agora é requalificar o quadro re- manescente, trazendo pessoal de outras companhias e treinando os profissionais locais para atuarem com maior presteza nas tarefas e a custos mais adequados. Ele reco- nhece, entretanto, que, por razões ambientais, tudo tem que ser feito com atenção redobrada e em rit- mo um pouco mais lento. Uma das principais missões da força de trabalho da Amazonas Energia, aliás, é reduzir drastica- mente os furtos de energia, bem como corrigir as perdas técnicas que, somadas, significam um pre- juízo anual estimado em R$ 1,2 bilhão. “É um desafio enorme, mas, ao mesmo tempo, representa uma oportunidade importante de recuperação de receita”, classifica o executivo.
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