Brasil Energia | Ed. 463 - Junho, 2020
Brasil Energia , nº 463, 30 de junho de 2020 65 reflete principalmente para daqui a dois ou três anos, já que estão cada vez mais remotas as possibilidades de leilões neste ano e, pelo lado do mercado livre, projetos podem ser engavetados tendo em vista a reces- são em desenvolvimento e a baixa na demanda de energia. Para a presidente da Abeeóli- ca, Elbia Gannoum, além da car- teira de pedidos sendo executada no momento, outra proteção pa- ra minimizar os impactos de curto prazo da pandemia é a alta nacio- nalização da cadeia produtiva, na faixa dos 80% de conteúdo local. Segundo ela, apenas alguns elos da cadeia dependentes de materiais importados podem se fragilizar, com atrasos em linhas de monta- gem, mas em uma escala sequer já identificada no setor. “O risco se- rá maior se a pandemia se estender por muito tempo”, disse ela à Bra- sil Energia . Na opinião de Gannoum, a par- tir de 2022, a crise de demanda ini- ciada em 2020, com contratações menores, pode afetar a produção dos fornecedores, que inclui ain- da cerca de 200 prestadoras de ser- viços, entre empresas de projetos, pré-construção, operação e manu- tenção de parques eólicos. Para ela, porém, o tamanho do impacto vai depender da veloci- dade da recuperação da economia e também do comportamento dos investimentos no mercado li- vre, que já vinham representando a maior parte da contratação dos últimos dois anos. Investimentos como os da Casa dos Ventos, que promete até 2023 aportar R$ 6,5 bilhões em parques, serviriam co- mo bom indicativo e, somando-se a outros, têm o poder de diluir o impacto da atual crise no cenário de longo prazo. NOVOS PEDIDOS Um bom exemplo para mostrar o momento dúbio da cadeia eólica ocorre na fabricante de aerogera- dores Nordex. Segundo seu diretor comercial, David Lobo, a produção não sofreu impacto por conta da crise sanitária e as unidades funcio- nam quase em sua capacidade total, com pedidos em carteira até 2022. O grupo de origem alemã conta com fábrica de naceles e de monta- gem das turbinas em Simões Filho (BA) e duas unidades de torre de concreto, uma em Lagoa do Barro (PI) e outra em Areia Branca (RN). Apenas estas duas últimas, no iní- cio da pandemia, precisaram parar por períodos menores a uma sema- na para atender decretos estaduais de quarentena. Os projetos que estavam sen- do negociados pela Nordex nos últimos meses também não sofre- ram alteração significativa. Tan- to é assim que dois foram fecha- dos durante a pandemia: um no início de maio com a Voltalia, pa- ra fornecer 17 turbinas (59 MW) para o cluster de Serra Branca (RN), e outro em junho com a Copel, para entregar 26 turbinas AW132/3465, de 3,4 MW cada, para a construção do parque eóli- co Jandaíra Copel, de 90 MW, no Rio Grande do Norte, com con- trato de 20 anos para prestação de serviços. A primeira encomen- da entra na produção no início de 2021 e a segunda, no segundo se- mestre do próximo ano. Para o longo prazo, Lobo com- partilha das incertezas provocadas pela queda da demanda por ener- gia, cujo consumo caiu 11% em maio. Ele também cita o fato de os reservatórios do Norte e Nordeste do país estarem cheios, o que pode desestimular novos investimentos em geração. Mesmo assim, oa cren- ça é de que a eólica continuará for- te na expansão da matriz, já que se trata de fonte barata e cuja lideran- ça na transição energética tende a se consolidar. Montagem de pá no parque Folha Larga Sul (BA), da Casa dos Ventos
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