Brasil Energia | Ed. 463 - Junho, 2020
Brasil Energia , nº 463, 30 de junho de 2020 75 a decisão de começar as obras”, conta Marcio Felix, presidente da EnP. O Oil group pretende ainda ins- talar refinarias moduladas de pe- queno porte na Bahia e no Mara- nhão, além de uma minirrefinaria em local a ser definido no Nordeste. Voltada à produção de diesel e gasolina, a planta do Maranhão te- rá capacidade inicial para processar 30 mil b/d, podendo ser expandida até 50 mil b/d, enquanto a baiana deve ser de 20 mil b/d. Os empreen- dimentos exigirão investimentos to- tais da ordem de US$ 600 milhões. Em estágio menos avançado, o projeto da minirrefinaria tem como foco os campos onshore ofertados no plano de desinvestimento da Pe- trobras. Por enquanto não há defi- nição se a unidade seria instalada na Bahia ou em Sergipe. A continuidade do projeto dependerá do desenrolar da venda de ativos da Petrobras. CRISE X CRONOGRAMA Em meio à pandemia, o Oil Group reavalia o cronograma de im- plantação do projeto integrado de re- finarias. A ideia era colocar a do Rio de Janeiro em operação entre 2022 e 2023. Contudo, diante da conjuntu- ra, a tendência é que o início de ati- vidade seja postergado por seis me- ses a um ano. O plano de negócios da empresa elaborado antes da crise estimava prazo de dez anos para im- plantação das cinco refinarias. A queda do preço do barril ainda colocou em espera um projeto pilo- to de minirrefinaria que vinha sen- do estruturado a partir da conver- são de uma unidade petroquímica, localizada em campo Grande (MS), para refinar 2 mil b/d. O plano era colocar a unidade em operação em 2021, com foco na produção de ga- solina e, possivelmente, diesel para abastecer o mercado local. O interesse do Oil Group pelo segmento de refino é antigo. Os pri- meiros estudos sobre um potencial ingresso no setor foram iniciados em 2016, visando à integração en- tre o E&P e o downstream. Hoje, a empresa tem participações no cam- po Riacho Sesmaria, na Bacia do Re- côncavo, e Tigre, em Sergipe, além do bloco RSI_R13AM, na Bahia. BRASIL REFINARIAS Outro grupo privado que es- tá de olho no potencial do estado nordestino é o Brasil Refinarias, que, em abril, recebeu autorização da ANP para a construir uma plan- ta com capacidade nominal de 117 m³/d (736 b/d) no município de Si- mões Filho (BA). O projeto contempla uma uni- dade composta de três torres de destilação, sendo uma atmosférica, uma a vácuo e uma de decapagem para separação de quatro produtos via destilação fracionada: nafta leve (17% v/v), querosene e diesel S-500 (27% v/v), parafina (14% v/v) e óleo combustível (42% v/v). O cronograma originalmente apresentado à ANP previa o início da obra em 30 de março de 2020 e sua conclusão em 27 de novembro deste ano, com investimento inicial de R$ 51 milhões. O gerente de Produção da Brasil Refinarias, Marcos Antônio Bene- dito, afirma que, apesar da pande- mia do novo coronavírus e de a au- torização da ANP ter saído apenas agora, o plano é concluir as obras e solicitar licença de operação ain- da este ano. “Já estamos trabalhando na par- te de aquisição de equipamentos; isso está bem adiantado. Pretende- mos estar com a refinaria montada até novembro”, diz o executivo. Segundo Benedito, a refinaria atenderá a pequenos produtores que atuam no Recôncavo Baiano, in- cluindo a Guindastes Brasil, grupo do qual a Brasil Refinarias é parte. A petroleira é operadora de duas áreas na bacia (Araças Leste e Jacu- mirim) e de um bloco na Bacia Ser- gipe-Alagoas (SEAL-T-132) – todos adquiridos em 2017. No ano passa- do, arrematou os blocos REC-T-151 e SEAL-T-132 no Primeiro Ciclo da Oferta Permanente da ANP. “A Guindastes Brasil está traba- lhando para colocar alguns poços em produção, e os desinvestimentos da Petrobras devem ampliar a gama de produtores na região”, ressaltou o gerente da Brasil Refinarias. No momento, a ANP avalia também pedido do grupo SS Oil Energy para construção de uma planta com capacidade nominal de 1.987 m³/d (12,5 mil b/d) no mu- nicípio de Coroados (SP). PANORAMA Atualmente, há 18 refinarias em operação no país, sendo que as úni- cas privadas são a Dax Oil (BA), a Rio Grandense (RS), a Univen (SP) e a Refit (RJ). A Petrobras está ven- dendo oito de suas plantas: Abreu e Lima (RNEST) em Pernambuco; LandulphoAlves (RLAM) na Bahia; Presidente Getúlio Vargas (Repar) no Paraná; Alberto Pasqualini (Re- fap) no Rio Grande do Sul; Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais; Isaac Sabbá (Reman), no Amazo- nas; Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor), no Ceará; e Unidade de Industrializa- ção do Xisto (Six), no Paraná. n
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