Brasil Energia | Ed. 464 - Agosto, 2020
62 Brasil Energia , nº 464, 31 de agosto de 2020 SOLAR dução de custos e despesas. En- tão, temos um produto extre- mamente atraente, uma vez que estamos oferecendo descontos da ordem de 20% para os clien- tes, sem qualquer tipo de inves- timento por parte deles”, dis- se à Brasil Energia o fundador e CTO da Alsol, Gustavo Buiatti. A companhia, que já investiu R$ 70 milhões neste ano na cons- trução de quatro usinas solares de GD com capacidade total de 20,3 MWp, investirá mais R$ 24 milhões para implantar outras duas usinas em Minas Gerais, que somam 6 MW. Já o grupo Servtec Energia, apesar da crise, segue com seu ob- jetivo de chegar a 250 MWp de potência instalada de solar distri- buída até 2021. “Temos um plano robusto de crescimento e, mes- mo em um cenário adverso, fruto do agravamento da pandemia de Covid-19 no mundo, consegui- mos construir com nossos parcei- ros soluções para mitigar os di- versos riscos inerentes aos negó- cios”, afirmou Pedro Fiuza, CEO do grupo. A companhia vai inves- tir R$ 210 milhões até o fim deste ano na construção de 22 usinas de geração solar distribuída em dez estados brasileiros, totalizando 54 MWp. A energia gerada aten- derá a contratos de longo prazo com empresas dos setores de te- lecomunicações, varejo, bebidas e postos de combustíveis. Cada vez mais grandes consu- midores de energia estão fechan- do contratos de compra de ener- gia solar de longo prazo, como forma não só de diminuir cus- tos, mas também de atingirem suas metas de sustentabilidade. É o caso da Anglo American, que firmou contrato com a Atlas Re- newable Energy, em março, para obter cerca de 9 TWh ao longo de 15 anos, com início em 2022. O convênio envolve um investi- mento de R$ 881 milhões para o fornecimento de 70 MW médios de energia para a mineradora através da usina solar Atlas Casa- blanca (330 MW), localizada em Minas Gerais. O acordo faz parte da estratégia da Anglo American de usar 100% de energia renová- vel em suas operações no Brasil a partir de 2022. Além de fazer par- te do objetivo que a empresa tem de criar uma mina sustentável, para reduzir todas as suas emis- sões de CO2 em 30% até 2030. A Atlas Renewable Energy tam- bém fornecerá energia solar à mul- tinacional norte-americana Dow. O contrato com prazo de 15 anos, assi- nado em junho, envolve entrega de mais de 440 GWh por ano, a partir do primeiro semestre de 2021. O su- primento será feito a partir da usina solar Jacarandá, localizada em Jua- zeiro, na Bahia, que terá capacida- de instalada de 187 MWp e atende- rá à fábrica da Dow em Aratu (BA). A Dow assumiu o compromisso de utilizar 750 MW de sua demanda de energia a partir de fontes renováveis até 2025. A empresa também tem metas adicionais de redução de sua pegada de carbono, que buscam re- duzir suas emissões anuais em 15% no período de 2020 a 2030. Isso re- presenta uma redução de 5 milhões de toneladas de CO2 nos próximos dez anos. PERSPECTIVA DE LONGO PRAZO A energia solar fotovoltaica deve passar por uma expansão significativa no Brasil nos próxi- mos 30 anos e atingir até 90 GW apenas em geração centralizada, de acordo com o Plano Nacional de Energia 2050 apresentado pe- lo MME em julho. Na maior par- te dos casos avaliados pelo PNE 2050, levando em conta ape- nas a geração centralizada, a so- lar fotovoltaica atinge entre 27 a 90 GW em termos de capacida- de instalada e entre 8 a 26 GW médios em termos de energia em 2050. Nesse horizonte, a partici- pação da fonte na matriz elétrica atinge em torno de 5% a 16% da capacidade instalada total ou de 4% a 12% em termos de energia total em 2050, sem contar a par- cela de geração distribuída foto- voltaica. Quanto à geração distribu- ída, cuja capacidade instalada atual é 3,49 GW (dos quais 3,30 GW são de solar), o PNE 2050 projeta que no final do horizon- te a modalidade atingirá entre 28 GW e 50 GW, o que represen- taria um valor de 4% a 6% da carga total. A solar deve conti- nuar liderando o segmento, re- presentando pouco mais de 85% da capacidade instalada no fim do horizonte, por conta da sua modularidade, custo decrescen- te e difusão da tecnologia entre a sociedade. A análise leva em conta a revisão do mecanismo de compensação para a GD no início da década de 2020, com aplicação de tarifa binômia pa- ra novos micro e minigeradores, bem como determinantes eco- nômicos — como o crescimento da renda das famílias e a pers- pectiva de queda dos custos das tecnologias. n
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