Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020
Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 15 O projeto da paranaense com- preende a compra de 50 MW de geração distribuída, parte de um volume que as distribuidoras po- dem adquirir fora dos leilões regu- lados de geração centralizada. Essa capacidade será usada para alimen- tar uma microrrede em localidade a ser selecionada entre 32 opções (conjuntos elétricos), todas com deficiência de confiabilidade no fornecimento de energia. De acordo com o superinten- dente de Smart Grid e Projetos Es- peciais da companhia, Júlio Omo- ri, há até cidades inteiras incluídas nessa lista, porém com baixa densi- dade de carga, o que torna caro no momento reforçar a rede local.O controlador será autônomo, porém supervisionado a partir do centro de operação da Copel, em Curitiba. A microrrede funcionará ilhada. Será necessário treinar os eletricis- tas, bem como instruir a população quanto a eventuais riscos. O projeto está sendo desenvolvido em parceria com o Lactec, de Curitiba. O leilão para a compra de energia acontece até dezembro e a expectativa é que a microrrede comece a operar em horizonte de três anos, a depender do empreendedor, caso o recurso de GD ainda precise ser construído. Já a CPFL Energia iniciou emde- zembro de 2019 outro projeto, tam- bém com P&D da Aneel, com dura- ção prevista de quatro anos. Empar- ceria com a Unicamp, a Universida- de Federal do Maranhão e o Institu- to Avançado de Tecnologia e Inova- ção, de Recife, o projeto construirá três pilotos. Um arranjo de menor porte (doméstico), o nanogrid, será instalado na própria sede da CPFL Energia, em Campinas, para testar configurações em corrente contí- nua. Também está previsto o Cam- pusGrid, microrrede de maior por- te, no campus da Unicamp. Pôr fim, há o ConGrid, microrrede concebi- da para um condomínio residencial, atendido pela CPFL Paulista. Está prevista ainda a modernização do Laboratório de Redes Elétricas Inte- ligentes, da Unicamp, para simular topologias de microrredes. Os inves- timentos totais são da ordem de R$ 45 milhões. “Estamos trabalhando em di- versas frentes com o objetivo de de- senvolver conhecimento para ante- cipar oportunidades, fundamentar normas, sugerir padrões, enfrentar ameaças e gerar valor agregado por meio do estudo da implantação de aplicações reais”, comenta o gerente de Inovação, Rafael Moya. Já a Neoenergia toca projeto de R$ 18 milhões para instalar micror- rede na comunidade isolada de Xi- que-Xique, com apenas 103 unidades consumidoras, no município de Re- manso, Bahia. Será formada por um sistema solar e armazenamento por baterias - a comunidade ainda não tem acesso à energia - com operação prevista para o primeiro semestre de 2021. As baterias garantirão o forne- cimento por 48 horas, quando não houver radiação solar suficiente. “O interesse é tanto das distri- buidoras quanto dos clientes. Cer- tamente, a Aneel e o governo irão avaliar como favorecer a expansão dessa solução, regulamentando o relacionamento com os clientes, requisitos de qualidade e seguran- ça, bem como a inclusão dos ati- vos - de geração e armazenamento - na base de remuneração dos cus- tos operacionais. Todas essas con- dições são necessárias para a sus- tentabilidade dessa solução”, avalia o gerente Corporativo de P&D da Neoenergia, José Antônio Brito. SOFISTICAÇÃO Do lado dos fornecedores tam- bém há grande interesse no segmen- to.A geradoraAES Tietê por exemplo vem diversificando sua atuação com o desenvolvimento de novas tecnolo- gias e trabalha, há pelo menos qua- tro anos, em um sistema controlador de microrredes, com P&D da Aneel, orçado em cerca de R$ 8,4 milhões até julho de 2021. Concebido origi- nalmente com as dimensões de um armário de aço para escritório, hoje o dispositivo tem design compacto e suficientemente miniaturizado para caber na palma da mão. Controlador de microrrede da AES Tietê: da dimensão de um armário de escritório na concepção para a palma da mão
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