Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020

24 Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 GÁS - LOGÍSTICA ra 2026, antes da partida do segun- do FPSO de Bacalhau. Internamente, o consórcio tra- balha com a perspectiva de definir o conceito do projeto de desenvol- vimento no primeiro semestre de 2021. O fechamento do cronogra- ma depende da definição do esco- po do sistema e da decisão final de investimento. No início de agosto, a Equinor e a Repsol firmaram acordo para avaliar a venda conjunta do volume de gás extraído pelas duas compa- nhias no projeto. A definição do conceito do pro- jeto sacramentará o porte das ins- talações offshore e onshore de Pão de Açúcar. O consórcio ainda não decidiu se optará por utilizar uma UPGN em terra, se fará um proces- samento mais simples do gás pro- duzido, enquadrando o produto para exportação, ou se optará por equipar a planta do FPSO com sis- tema de processamento mais com- pleto. PORTO DO AÇU X CABIÚNAS São João da Barra e Cabiúnas oferecem, cada uma, suas vanta- gens. O Porto do Açu não perten- ce a outra petroleira, como é o ca- so das instalações de Macaé, da Pe- trobras. O Porto do Açu – onde o grupo norueguês já utiliza a base da Bra- sil-Port, do grupo Edison Chouest, para dar apoio ao campo de Pere- grino – conta com áreas já pré-li- cenciadas que poderiam abrigar a parte terrestre do projeto. Além disso, na área está em construção um parque de termelétricas, com capacidade instada de até 6,4 GW. Outro fator de atração é a perspec- tiva de interligação do complexo de São João da Barra à malha de gaso- dutos terrestres do país. Também com o Porto do Açu a petroleira teria a vantagem de po- der exportar os líquidos extraídos do processamento do gás, utilizan- do o terminal de líquidos instalado no local. Por outro lado, Cabiúnas dispõe de infraestrutura de UPGN já ope- racional, ainda que a planta exis- tente não possua capacidade para absorver todo o volume do proje- to da Equinor. A limitação poderia, no entanto, ser solucionada com um projeto de expansão da planta. RFI E FPSO Na ocasião da liberação da RFI, em 2019, a Equinor indicou ao mer- cado uma demanda de tratamento entre 11 milhões de m³/d e 20 mi- lhões de m³/d de gás. Projeções mais recentes fecharam essa demanda com mais precisão, da ordem de 16 milhões de m³/dia de gás. O documento requeria alterna- tivas para o gás produzido, o que incluía o local de chegada da pro- dução na costa e infraestrutura su- gerida para tratamento e separa- ção das diferentes frações do gás. O gás descoberto em Pão de Açúcar é mais rico em frações leves. Não há, por ora, previsão de ida ao mercado para contratação do FPSO do projeto. A tendência é que a Equinor opte por seguir a mesma estratégia de Carcará, em que ape- nas a SBM e a Modec foram convo- cadas para participar da RFI, com custos iniciais bancados pela ope- radora norueguesa. Pão de Açúcar está localizado em lâmina d’água de 2,9 mil m, a maior de um projeto em desen- volvimento no país. O prospecto foi descoberto pela Repsol (antiga operadora do BM-C-33) em 2012, a partir dos trabalhos exploratórios realizados no bloco arrematado em 2005, na 7ª Rodada da ANP. A campanha realizada na área resultou na descoberta de outros dois prospectos de menor porte: Se- at, em 2010, e Gávea, em 2011. Jun- tas, as três descobertas apontam pa- ra volume de 1 bilhão de boe, sen- do a maior parte de gás natural, com uma parcela menor de condensado. O desenvolvimento do BM-C-33 será feito em fases, priorizando, ini- cialmente, o prospecto de Pão Açú- car, a cerca de 200 km da costa. n Trecho do Gasene em Cabiúnas: área de Macaé (RJ) tem infraestrutura de UPGN

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