Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020
Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 3 ISSN0101-7837 Diretor Presidente Celso Knoedt Diretores Patrícia Quintão Rosely Máximo Editora Executiva Lívia Neves Redatores Ana Luisa Egues Antonio Carlos Sil Bruno Postiga Carlos Vasconcellos Chico Santos Cláudia Siqueira Fabio Couto Felipe Salgado Lais Carregosa Marcelo Furtado Rafael Luis Fernandes Thais Custodio Tratamento de Dados Mauricio Fagundes Rick Marzioni Programação Visual Ana Beatriz Leta ASSINATURAS Gerente de Assinaturas Alessandra Alves assinaturas@brasilenergia.com.br Tel: (21) 3503-0303 / 98702-4237 Digital Diário + Impresso AssinaturaAnual: R$ 945 / US$ 645 Assinatura Mensal: R$ 85 Atendimento ao assinante Tel: (21) 3503-0303 / 98702-4237 PUBLICIDADE Paula Amorim publicidade@brasilenergia.com.br Rio de Janeiro Bianca Bandeira - (21) 99698-0274 Elia Carvalho - (21) 97918-3539 Lúcia Ribeiro - (21) 97015-4654 São Paulo Fernando Polastro - tel/fax: (11) 5081-6681 EDITORA BRASIL ENERGIA LTDA Av.Almirante Barroso, 63, Gr 2007 20.031-003 - Rio de Janeiro Tel (21) 3503-0303 Frequentemente, são as disputas retóricas, os valores, as paixões e a produ- ção de sentido que balizam as decisões políticas, tanto quanto dados brutos e informações concretas - já que estes dependem de uma interpretação para se- rem usados. Ao mesmo tempo, há uma grande identificação pessoal com de- terminados discursos e posicionamentos e isso pode dificultar o diálogo. Com tantas ferramentas de comunicação e divulgação disponíveis, somos constantemente incitados à expor opiniões ou defender um“lado” ou outro. E uma vez que um posicionamento é assumido, passa a ser uma parte da identi- dade de quem o defende, preciosa demais para ser facilmente negociada. Comunidades em regiões fortemente ligadas à exploração do carvão para produção de energia na Alemanha, por exemplo, têm mais que temor por seus empregos diante da transição energética, mas também uma iden- tificação e um apego cultural à atividade, se sentindo desvalorizadas ou até culpabilizadas/acusadas quando ouvem as propostas de descomissiona- mento de usinas no país. Ou seja, uma nova oferta de empregos no setor de renováveis para esses trabalhadores, além do desafio óbvio da qualificação, passa por uma mudança cultural e até identitária. Talvez um exemplo que esteja mais palpável no momento, atravessado por um projeto de lei em discussão no Congresso, sejam os diversos segmentos da indústria de gás no Brasil. Além das distribuidoras que devem repensar o seu papel e suas estratégias de crescimento em um mercado mais aberto e dinâmi- co, que desenvolve novos modais, há os produtores, transportadores e consumi- dores. Cada um olhando para os fatos e dados concretos de seu ponto de vista. Outro exemplo seriam os profissionais que trabalham e se orgulham de terem participado do desenvolvimento de segmentos do setor de energia já consolidados. Alguns deles, há menos de uma década, riam ao considerar a possibilidade de inserção de solar na matriz - algo como ocorre hoje com o hidrogênio verde, talvez. A fotovoltaica agora domina as previsões de ex- pansão de geração de longo prazo, até 2050. O ponto é: quanto o que se diz ser possível e impossível limita ou am- plia as possibilidades de diálogo? Quanto cada parte está disposta ou é ca- paz de negociar? As decisões tomadas na próxima década - lembremos que em janeiro o Fórum Econômico Mundial passou a ecoar o discurso da ONU sobre a agenda 2030 e a década da ação - desempenharão um papel crítico para o combate à crise climática. De acordo coma Agência Internacional de Energia, para chegar a 2050 com um setor energético zero emissões, as emissões totais de CO2 precisariam cair cerca de 45% em relação aos níveis de 2010 até 2030, para cerca de 20,1 Gt. É um desafio imenso. Como cada região, país e segmento farão parte desse movimento, se o fizerem, vai depender das negociações de seus pontos de vista, valores e identidades. As “externalidades” de suas atividades e as políticas regulató- rias e de desenho de mercado também irão, claro, influenciar. A criatividade e a inovação de que precisamos para decidir enquanto sociedade para onde irá o setor energético - e para onde ele nos levará enquanto sociedade - também dependem da nossa capacidade de diálogo. As in- formações concretas e os dados, já temos. Precisa- mos negociar as interpretações e os valores sob os quais os usaremos. Lívia Neves Editora Executiva
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